20

maio

2015

Alta diversidade de anfíbios na Fazenda São Nicolau é foco de pesquisa de estudante da UFMT

Por forest

Trabalho desenvolvido pela bióloga faz parte de conjunto de pesquisas subsidiadas pela ONF Brasil

Janaina Noronha estuda o comportamento reprodutivo dos anfíbios anuros

Janaina Noronha estuda o comportamento reprodutivo dos anfíbios anuros

Além das atividades relacionadas ao sequestro de carbono, a Fazenda São Nicolau realiza também estudos científicos relacionados à biodiversidade. Professores e pesquisadores acompanhados de estudantes de graduação, mestrado e doutorado desenvolvem pesquisas na área da Fazenda. Uma dessas pesquisadoras, Janaina da Costa de Noronha, doutoranda do Programa de Pós Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, acompanha a atividade reprodutiva de duas espécies de anfíbios anuros: a perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei) e o sapo-cola (Trachycephalus cunauaru), nova espécie descrita pela ciência em 2013.

“A ONF Brasil nos ajuda bastante na logística, fornecendo refeitório, laboratório, alojamento e internet, facilitando assim nossa vida após o trabalho no campo”, conta a bióloga. Dessa forma, Janaína, orientada pelos pesquisadores Domingos de Jesus Rodrigues (UFMT) e Cynthia Prado (UNESP) pode acompanhar os hábitos dos animais com mais praticidade na pesquisa, que é feita desde 2009. No total, há três teses de doutorado em andamento, quatro dissertações de mestrado concluídas e seis em andamento, além de 16 trabalhos de iniciação cientifica concluídos e dois em andamento, sendo realizados na sede da Fazenda.

Anurofauna Amazônica

A fazenda, localizada no município de Cotriguaçu, a 686 km de Cuiabá, tem uma diversidade alta de anfíbios anuros, sendo que a espécie Hyalinobatrachium cappellei foi registrada pela primeira vez no Brasil, no local. De acordo com o estudo Descobrindo a Amazônia Meridional: Biodiversidade na Fazenda São Nicolau, de 2011, foram registradas no lugar 45 espécies de anuros pertencentes a nove famílias diferentes. “Considerando que os anfíbios estão sofrendo uma extinção acelerada em várias partes do Mundo, não apenas pela perda de habitat, mas também graças ao aquecimento global que favorece a proliferação de um fungo sobre a pele deles, a alta diversidade da Fazenda é um ponto chave para preservação da espécie”, alerta o pesquisador Roberto Silveira.

Na sua pesquisa, a estudante já pode notar características peculiares no comportamento de cada animal. O macho da perereca de vidro – conhecida assim por possuir a pele do ventre transparente – é o responsável pelo cuidado dos ovos, que são depositados em folhas pendentes sobre os córregos. O movimento natural dos girinos quando atingem certo tamanho faz com que eles “pinguem” na água e completem seu desenvolvimento. O cuidado parental desses machos, tanto na proteção quanto na hidratação dos ovos, é fundamental para evitar que as desovas ressequem e/ou sejam predadas.

Macho da perereca de vidro hidratando a desova

O sapo-cola também possui uma estratégia reprodutiva singular: o macho da espécie vocaliza em buracos de árvores cheios de água, conhecidos como fitotelmatas. A fêmea atraída por seu canto deposita os ovos nessa cavidade. Alguns fitotelmatas monitorados estão a mais de 25 metros de altura e o acesso a esses sítios reprodutivos só é possível através de rapel. Para realizar o trabalho, a pesquisadora conta com o auxílio de Roberto Stofel, morador do Assentamento Vale do Verde, experiente conhecedor da biodiversidade da Fazenda. Além de acompanhar esses fitotelmatas naturais, Janaina também fixou baldes em diferentes alturas e com diferentes litragens em árvores na floresta, buscando atrair machos e assim conseguir monitorar a dinâmica de ocupação dos sítios reprodutivos para a espécie.

Macho do sapo cola em fitotelmata

A paixão de Janaína pela natureza é antiga. “Desde criança, gosto de bichos e do mato. Esse trabalho é uma realização pessoal, um projeto de vida”, ela afirma. No intuito de contribuir com maiores informações sobre a anurofauna amazônica, a equipe está organizando um Guia Fotográfico de Anuros da Amazônia Matogrossense, que conta com mais de 50 espécies registradas na Fazenda São Nicolau. A anunofauna é ainda tão pouco conhecida e já tão vulnerável pela perda de habitat”, conta Janaína. O livro está ainda em fase de finalização, mas os autores acreditam que até o final do ano de 2015 já estará disponível, inicialmente apenas em formato digital.

Janaina realizando monitoramento de sítios reprodutivos artificiais de rapel

Janaina realizando monitoramento de sítios reprodutivos artificiais de rapel

Com o apoio à ciência, a Fazenda São Nicolau reafirma seu papel como uma importante fonte de dados para o conhecimento da biodiversidade amazônica, subsidiando pesquisas que podem contribuir com o desenvolvimento de estratégias visando a conservação do habitat e, consequentemente, a sobrevivência das espécies.

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