10

dez

2018

Feliz acaso na Fazenda São Nicolau: descoberta de uma nova espécie de serpente coral

Por forest
O padrão de cores da nova espécie é atípico (Foto: Bernarde, Turci, Abegg e Franco)

O padrão de cores da nova espécie é atípico (Foto: Bernarde, Turci, Abegg e Franco)

 

A descoberta foi uma surpresa e ocorreu graças ao inventário da herpetofauna de 2011, que fez o levantamento dos anfíbios e dos répteis na Fazenda São Nicolau. O animal foi encontrado nas proximidades da parcela 1 do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), localizado na área de floresta nativa da São Nicolau e não se enquadrava em nenhuma espécie conhecida.

Essa espécie inédita, a Micrurus boicora, possui um padrão de cores distinto com apenas cinco tríades separadas por faixas castanhas ou amareladas, além de número pequeno de escamas ventrais e subcaudais. A quantidade de tríades e escamas a separa de outras espécies, como a Micrurus hemprichii e a Micrurus ortoni.

O exemplar coletado e não identificado em 2011 foi enviado à especialistas do Instituto Butantan para que ajudassem a equipe da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), coordenada pelo professor Dr. Domingos Rodrigues, membro do Comitê Científico e Técnico do Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF, na identificação do exemplar. Depois de aproximadamente dois anos de análises foi possível categorizar a Micrurus boicora como uma espécie nova para a ciência. A escolha do nome foi uma alusão ao nome “Boicorá” de origem Tupi-Guarani. A palavra é comumente usada pelos indígenas e populações tradicionais para as serpentes coral.

Sobre a pesquisa realizada, Domingos destacou a importância “da ocorrência da serpente na área florestada da Fazenda, fato que supõe que a espécie estará protegida devido à manutenção da floresta nesse local”.

Os impactos para a Fazenda dessa descoberta serão inúmeros. “A nova espécie é um coral verdadeira com potencial para estudos de bioprospecção (sobre propriedades de seus venenos) e também para o ecoturismo, visto que a espécie é rara e ocorre na zona de endemismo Rondônia, região que compreende o noroeste de Mato Grosso e parte de Rondônia”, completa Domingos.

As informações sobre a Micrurus boicora foram divulgadas por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) e do Instituto Butantan em um artigo científico. O achado abre novas perspectivas de pesquisas complementares para estudar o comportamento e a biologia reprodutiva dessa serpente, entre outros aspectos ecológicos.

Com quantidade de exemplares coletados de espécies novas na Fazenda, a ONF Brasil, em parceria com a UFMT, espera viabilizar nos próximos anos uma atualização do livro da Biodiversidade da Fazenda.

 

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