03

jun

2020

Uma história de amor de harpias na Fazenda São Nicolau

Por forest
Marc lança o seu melhor olhar 43. Será que seu charme será capaz de conquistar a íris? (Foto: Bruna Vivian)

Marc lança o seu melhor olhar 43. Será que seu charme será capaz de conquistar a Íris? (Foto: Bruna Vivian)

 

Resgatadas separadamente e acolhidas na Fazenda São Nicolau, Íris e Marc são harpias fêmea e macho. Ainda devem demorar de 2 a 3 anos para essas aves atingirem a maturidade sexual, mas a equipe de cuidadores assumiu o papel de casamenteiros e sonham com a formação de um par perfeito.

“Há essa expectativa, uma vez que as duas aves não sofreram imprinting, que ocorre quando o animal é retirado muito novo do ninho e possui dificuldade para se reproduzir por não reconhecer o parceiro da própria espécie, associando a própria imagem à de seres humanos. A perspectiva de um futuro pareamento entre os dois é sustentada pois ambos estão na mesma área e são um jovem casal”, explica Bruna Vivian, estagiária do pesquisador Everton Miranda na Fazenda.

O primeiro encontro entre as duas aves resgatadas ocorreu no dia 4 de maio. Tímido, o par ficou a um quilômetro de distância, sem nem ao menos se ver. A águia fêmea estava nas vizinhanças do Rio Juruena, enquanto o macho estava próximo do seu recinto de soltura, local que frequenta em busca do alimento ofertado pela equipe da Fazenda. O casal passou o dia inteiro vocalizando um para o outro. De noite, para evitar que os animais associem a presença humana com o alimento, a equipe de cuidadores depositou duas porções de carne em poleiros diferentes para evitar a competição. Geralmente as aves recebem galinhas ou animais silvestres atropelados frescos.

No dia seguinte, logo cedo, as aves foram vistas cada uma com sua porção de carne nas garras, ainda vocalizando a distância durante toda a manhã. Depois, o macho se afastou do recinto (e retorna em momentos aleatórios), mas a fêmea permaneceu no recinto até dia 15 de maio. Inclusive, no dia 10 de maio, as harpias sustentaram o primeiro contato visual.

 

O desejo futuro dos pesquisadores é de que Íris e Marc formem um casal, como as outras águias livres na Fazenda que, em seu habitat natural, são monogâmicos para a toda vida e usam o mesmo ninho de 20 a 30 anos (Foto: David George)

O desejo futuro dos pesquisadores é de que Íris e Marc formem um casal, como as outras águias livres na Fazenda que, em seu habitat natural, são monogâmicos para a toda vida e usam o mesmo ninho de 20 a 30 anos (Foto: David George)

 

A possibilidade de um romance permanecerá no ar por alguns anos. Seria um final feliz para as águias que passaram por alguns sustos até serem encontradas e levadas para se recuperarem na Fazenda São Nicolau. O macho recebeu o apoio do projeto “Construindo uma estratégia para a conservação da harpia na Amazônia”, liderado pelo biólogo e mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, Everton Miranda.  A jovem harpia foi encontrada por uma família de agricultores de Colniza (MT) depois de cair de um ninho quando sua árvore foi derrubada por desmatamento ilegal. O resgate foi possível porque a família acionou a Secretaria de Agricultura do município, que os direcionou para o projeto de Everton.

Caso outras pessoas encontrem uma águia ferida, a orientação é entrar em contato com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. O órgão pode encaminhar os animais para o projeto ou para cativeiro. Chegando aos cuidados dos pesquisadores na São Nicolau, o trabalho será para a recuperação dos animais e sua reintrodução na natureza.

A fêmea também teve um passado de superação. O seu ninho foi derrubado por madeireiros no município de Sinop (MT). Ela sofreu duas fraturas em cada asa após a queda e foi resgatada pelos trabalhadores da madeireira. A águia passou quatro meses em recuperação no setor de animais silvestres da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Sinop sob os cuidados da veterinária Elaine Conceição.

Depois desse período, ela ficou três meses se exercitando no recinto de aclimatação na São Nicolau e foi solta em março de 2019. Desde então ela recebe alimento periodicamente e já caça parte da própria comida desde de fevereiro de 2019. A ave continuará sob monitoramento e a expectativa é de reduzir a sua alimentação à medida que for capaz de caçar presas silvestres por conta própria.

Em alguns anos, esperamos relatar o final feliz do casal e, quem sabe, de filhotes voando livres pela região.

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