Filhote de Harpia

Filhote de harpia resgatado e liberado no meio ambiente (Foto: Eldile Oliveira)

Após três meses de cuidados, foi cortada a tela que separava o filhote de gavião real de sua liberdade. Essa águia, jovem macho, havia sido resgatada a pedido da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) e foi a segunda solta na Fazenda São Nicolau. Confortável no recinto de recuperação, a ave frustrou as expectativas da fotógrafa Karine Aigner da National Geographic, que estava acompanhando o Everton Miranda e o Eldile Oliveira na ocasião. A intenção era registrar o voo da soltura, mas o filhote preferiu esperar a equipe se distanciar para explorar o mundo externo.

A ação faz parte do projeto “Construindo uma estratégia para a conservação da harpia na Amazônia”, liderado pelo biólogo e mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, Everton Miranda. O grupo de pesquisadores já catalogou 30 ninhos de harpias no Arco do Desmatamento em 4 anos e contam com a ajuda de coletores de castanha do Brasil, que recebem a recompensa de R$ 500,00 para reportar ninhos encontrados.

Para colaborar no resgate e na soltura do filhote da águia, Everton convidou seu ex-aluno: o engenheiro florestal Eldile Oliveira, servidor público no IFMT Campus Alta Floresta. Em uma crônica escrita por Eldile para o Eco, ele lembra as dificuldades da operação e a ansiedade de ver o filhote voar livremente pela primeira vez.

O resgate se iniciou em outubro do ano passado, quando, após o pedido da SEMA-MT, Everton e Eldile se dirigiram para Colniza (MT), a 1.064 km de Cuiabá. Uma família havia encontrado o filhote em uma área de desmatamento ilegal onde o animal poderia ter morrido pela queda quando a árvore em que seu ninho estava foi derrubada.

A família cuidou da águia por quatro meses, enquanto buscava por instituições de reabilitação e reintrodução de animais silvestres na natureza. Os familiares acessaram o Secretário de Agricultura de Colniza, Helio Mendes de Souza, para comunicar os órgãos ambientais da existência do filhote. Foi então que a SEMA-MT soube do caso e contatou o Everton.

A equipe do projeto enfrentou chuvas intensas e estradas precárias para chegar à propriedade da família. Quando faltavam 60 km para chegar a Colniza, se depararam com dois caminhões atravessados na estrada, cenário típico na região, e tiveram que dormir no caminho, em uma pequena vila.

Mas, no dia seguinte, chegaram ao local e se maravilharam com a harpia. “Poder ver o filhote tão de perto foi bastante emocionante para mim. No entanto, também me fez pensar no fato de que a Floresta Amazônica, com sua tão rica biodiversidade, está sendo devastada para que uma única espécie, o boi, passe a dominar as paisagens outrora exuberantes”, explicou Eldile.

O transporte da águia para Cotriguaçu (MT) contou com um recinto preparado especialmente para o filhote. Finalmente, com muita chuva às 23 horas, os pesquisadores passaram a ave para um outro recinto na Fazenda São Nicolau, espaço onde o animal ganhou peso e se acostumou com o ambiente.

Eldile também participou do processo de soltura do filhote em janeiro deste ano. Além dos pesquisadores, a National Geographic esteve presente para registrar o momento singular e as atividades do projeto das harpias, acompanhadas pela fotógrafa Karine Aigner e pela repórter Rachel Nuwer.

Às 10 horas, um dos lados da tela do recinto foi aberta. Porém o filhote não se interessou por sair de seu ninho artificial. O grupo decidiu seguir para o almoço, pensando que a privacidade poderia ser um estímulo para o animal alçar seu voo (ele ficou na companhia apenas da fotógrafa). Porém, até 13 horas o filhote não havia se movimentado. A liberdade foi alcançada posteriormente, quando ninguém estava olhando.

Mesmo reintroduzido no ambiente, o filhote ainda deve receber alimentos a cada três ou quatro dias por dois anos, quando se espera que ele seja capaz de sozinho capturar suas presas na Floresta Amazônica.

Anteriormente, outras duas harpias haviam sido resgatadas. A primeira, muito enfraquecida, infelizmente, morreu quando a equipe tentava liberar as licenças ambientais. A segunda, uma fêmea, foi solta na natureza e continua a receber alimentos. O desejo é que as duas águias virem um casal e construam um ninho na Fazenda São Nicolau.

 

(Foto: Gcom-MT)

(Foto: Gcom-MT)

 

No século 20, a população mundial cresceu 4 vezes, enquanto o consumo de água cresceu 7 vezes. Atualmente, há mais de 1 bilhão de pessoas sem suficiente acesso à água para consumo doméstico e, estima-se, que em 30 anos haverá 5,5 bilhões de pessoas vivendo em áreas com moderada ou séria falta d’água no planeta. Atentos para a questão, representantes da Superintendência de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) participam nos dias 27 e 28 de junho do lançamento do 8º Fórum Mundial da Água, que ocorrerá em Brasília, em março de 2018.

Para superintendente de Recursos Hídricos, Luiz Henrique Noquelli, esse será o maior evento global sobre a água, e deve receber pelo menos 30 mil pessoas de mais de 100 países, com o intuito de discutir temas relacionados e promover maior conscientização coletiva para o uso racional da água. “Essa vai ser uma oportunidade ímpar de estabelecermos compromissos políticos nos estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, para ações em diversos setores da sociedade, pois todos nós dependemos da água, para consumo, e também para o setor de produção.”

Os dois dias de programação serão realizados no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, e marcam o início das discussões sobre a programação do evento. Algo que Leonice Lotufo, gerente de Fomento e Apoio a Comitê de Bacia Hidrográfica da Sema, avalia como muito produtivo, pois reunirá diversos setores da sociedade com o mesmo objetivo. “Vamos poder debater e sugerir novos temas e plataformas para o fórum já fixados pelo Conselho Mundial da Água, isso significa que este é um tema em construção pela sociedade que caminha em busca de soluções mais sustentáveis de vida no planeta.”

Sobre o evento

O Fórum Mundial da Água ocorrerá entre 18 a 23 de março de 2018, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Com o tema ‘Compartilhando Água’, o evento será realizado pela primeira vez no hemisfério sul. Será um espaço aberto a todos os setores da sociedade: empresas públicas e privadas, universidades, centros de pesquisa, representantes dos governos locais, estaduais e nacionais, legisladores, organismos nacionais e internacionais, membros de Comitês de Bacia Hidrográfica, ONGs e demais organizações da sociedade civil.

A estrutura do Fórum será dividida em quatro processos principais, que são: temático (base técnica em diversas áreas), político (autoridades governamentais e parlamentares), regional (diferentes continentes do mundo), e grupo focal de sustentabilidade (assuntos transversais). Simultaneamente, haverá uma feira demonstrativa de projetos e divulgação de boas práticas, e a Exposição, abertas a empresas e instituições ligadas ao desenvolvimento tecnológico, interessadas em divulgar ideias, contribuições e inovações nos temas relacionados à água. Quem quiser participar, pode entrar em contato com os organizadores para se cadastrar.

Serviço

Para outras informações a respeito do evento você pode acessar www.worldwaterforum8.org Os telefones de contato são: (61) 3961-5079 e endereços eletrônicos esecretariat@adasa.df.gov.br/ aci@adasa.df.gov.br.

Fonte: Rose Domingues | Sema-MT