Capa do guia ilustrado sobre as espécies de anuros da Fazenda São Nicolau, produzido pelos participantes do curso de ecologia de campo do programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais (Imagem: Curso de Ecologia do Campo)


Capa do guia ilustrado sobre as espécies de anuros da Fazenda São Nicolau, produzido pelos participantes do curso de ecologia de campo do programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais (Imagem: Curso de Ecologia do Campo)

 

Para a surpresa dos estudantes, em uma saída de campo para coletar material sobre peixes, encontraram totalmente seco um riacho que, no dia anterior, estava com quase meio metro de profundidade. Diante do susto dos mestrandos, os professores explicaram que esse fato é comum quando se trabalha com  a natureza e, quando o período de coleta é maior, é possível retornar ao local em outros dias, esperando que o córrego encha de água. Porém, como a prática era de apenas um dia, o grupo abraçou outro projeto para coletar dados e apresentar os resultados.

A situação foi um dos momentos marcantes da sexta edição do “Curso de Ecologia de Campo”, vinculado à linha de pesquisa em “Conhecimento, uso e conservação da biodiversidade” do programa de pós-graduação em Ciências Ambientais da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), campus de Sinop. Foram nove dias de formação, entre 13 e 21 de novembro, para os alunos criarem e testarem hipóteses na Fazenda São Nicolau, considerando as teorias discutidas em sala e/ou com o supervisor.

O curso é coordenado pelo professor Dr. Domingos Rodrigues, membro do Comitê Científico e Técnico do Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF, e a maioria dos participantes são mestrandos do programa em Ciências Ambientais. Contudo, alunos especiais e estudantes de outros programas também são selecionados por edital específico divulgado no site da UFMT. Na atual edição, a turma contou com uma doutoranda do programa de pós-graduação em Física Ambiental do campus da UFMT de Cuiabá.

Rodrigues explica a importância da iniciativa, destacando a rica biodiversidade da Fazenda, onde é possível estudar muitos grupos de organismos. A logística disponível contribui para garantir espaço para a triagem do material e para a apresentação dos projetos. O acesso à conexão da internet também permite pesquisar artigos mais específicos, que ajudam os alunos na discussão dos resultados alcançados.

O conteúdo da formação compreende entender os inventários biológicos, as técnicas de coleta e de análise de dados, além da elaboração de hipóteses. Neste ano, uma inovação foi a realização de saídas de campo à noite, uma oportunidade para que os estudantes percebam as diferenças entre os estudos diurnos e noturnos.

Nos primeiros dias, é comum os participantes ficarem apreensivos, pois o tempo é curto e sentem que o nível de formação é intenso. Mas, quando voltam para a universidade percebem que assimilaram muitas informações e logo perguntam quando será a próxima edição. Segundo Rodrigues, eles conseguem entender o ganho intelectual que um curso desse nível é capaz de oferecer, principalmente porque podem aplicar as práticas em suas dissertações (por exemplo, aprendem como melhor redigir um texto acadêmico).

Na noite da chegada à Fazenda, após o jantar, os estudantes discutiram com os supervisores as atividades a serem realizadas no dia seguinte pela manhã: as hipóteses, os organismos a serem estudados, o local de coleta e o desenho amostral. No período da tarde, eles fizeram a triagem do material coletado, analisaram os dados e começaram a trabalhar na apresentação e no relatório, a ser escrito no formato de um artigo. Após o jantar do segundo dia, eles apresentaram os estudos realizados na manhã para os professores e os estudantes. O debate da turma apontou sugestões para os títulos do trabalho, a qualidade e a quantidade dos dados coletados e os usos ds análises estatísticas.

Apesar de não ser um requisito do curso, a turma fez guias ilustrados sobre a biodiversidade da Fazenda, servindo como um treinamento para os estudantes divulgarem a informação científica para o público leigo. O material contém a identificação das espécies coletadas e possui potencial para futuras publicações a partir do aumento da amostragem.

Roça Agroflorestal preparada para plantio (Foto: Emily Martello/ ONF Brasil).

Roça Agroflorestal preparada para plantio (Foto: Emily Martello/ ONF Brasil).

O plano de estágio do Programa de Integração Local da ONF Brasil desenvolveu uma série de atividades para fortalecer o trabalho de produção de alimentos na Fazenda São Nicolau. Saulo Thomas, engenheiro florestal do Programa, conta que a principal contribuição do estágio é a sistematização das informações sobre a produção de alimentos pelo Sistema Agroflorestal (SAF), em fase de execução. O SAF, conhecido na fazenda como Roça Agroflorestal, pretende suprir a demanda mensal da cozinha com frutas e vegetais diversificados e orgânicos, garantindo uma produção contínua de baixo custo. A perspectiva é que os produtos cultivados também possam ser distribuídos para os colaboradores da Fazenda.

A estagiária colabora também na produção do viveiro, com a elaboração de um calendário de coleta de sementes. Esse trabalho considera as espécies nativas da região utilizadas na recuperação das APPs (Áreas de Proteção Permanente) e seus períodos de floração e frutificação. As ações podem consolidar a formação de coletores organizados e também resultar na implantação de uma horta de temperos.

Além de participar das atividades na Fazenda, a estagiária atua na integração com os produtores locais de café e com os parceiros do Projeto de Assentamento Juruena, oferecendo suporte técnico— como a interpretação de análise de solo, por exemplo. O acompanhamento das ações do Projeto de Reflorestamento Afirmativo da Promotoria de Justiça de Cotriguaçu (MT), que conta com a parceria da ONF Brasil, também integra o plano de estágio.

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da estagiária Emily Martello se baseia na caracterização do SAF do agricultor Roberto Stofell, nas percepções das famílias sobre o sistema e no levantamento de dados dendrométricos. A pesquisa da estagiária pretende assegurar a continuidade do estudo iniciado por outros pesquisadores. O levantamento, por exemplo, pode ajudar no manejo das espécies florestais do SAF e na introdução de espécies frutíferas, como o café e o cacau, que se adaptam ao sombreamento intermediário. Todas essas atividades consolidam o trabalho de reflorestamento e boas práticas na Fazenda São Nicolau e na região, propondo modelos sustentáveis para outros produtores do Noroeste de Mato Grosso e ofertando comida saudável para o refeitório da Fazenda.

Veja mais fotos da ONF Brasil:

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Serviço de resgate e cuidado é realizado pela Sema em parceria com o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA). A maioria dos casos se trata de atropelamento às margens de rodovias e maus-tratos.

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Foto: Pixabay

Em dois anos a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), resgatou 1.420 animais silvestres em Mato Grosso. Desse total, 151 estão no centro de triagem da sede do Batalhão, em Várzea Grande, outros 1.075 foram soltos na natureza, 49 destinados para criadouros ou guarda provisória e cerca de 140 vieram a óbito.

O médico veterinário da Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema, Christiano Justino, explica que a maioria dos animais resgatados foi vítima de atropelamento na beira da estrada, invadiu alguma área particular ou estava convivendo ilegalmente na propriedade de alguém.

Assim que é resgatado, se ele estiver com alguma fratura ou debilitado o animal passa por uma avaliação clínica no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ou no Centro Universitário de Cuiabá (Unic). Caso os animais estejam aptos para voltar à natureza são soltos, mas se eles estiverem domesticados ou com alguma deficiência física que os impossibilitem de serem reintroduzidos no habitat natural tem que ser mantido no centro de triagem da Sema e disponibilizado para guarda provisória ou enviados para criadouros.

Por enquanto, a Sema não possui um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), por isso alguns são encaminhados para instituições com uma metodologia de criadouro conservacionista, em que o animal passa por um processo de reintrodução na natureza ou para fins de reprodução. “Muitos bichos não possuem mais as habilidades de um animal silvestre. São dóceis e precisam desenvolver seu sistema de caça e defesa para viver conforme sua espécie. Essas instituições têm essa finalidade”.

Este ano, 11 animais foram encaminhados para instituições parceiras: dois gatos mouriscos, dois veados catingueiros, dois tamanduá bandeiras, um gavião de penacho, uma anta, uma jaguatirica e duas onças (parda e pintada). Entre as instituições parceiras estão o Refugio Biológico Bela Vista e os institutos Mata Ciliar e Onça-Pintada (IOP).

Para o gerente de fauna da coordenadoria, o biólogo e sargento da PM Joelson do Nascimento de Paula, o trabalho da Sema e do batalhão ao longo desses dois anos tem sido positivo, principalmente para os animais. “As duas instituições exercem o mesmo papel e a partir do momento que elas trabalham em parceria o serviço têm mais qualidade, trazendo benefícios ao meio ambiente que fica mais equilibrado”.

Guarda provisória

A destinação de animais silvestres para guarda provisória atende à Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) n° 457/2013 que estabelece critérios a serem seguidos. No momento a Sema não possui animais disponíveis para guarda. Um novo levantamento deve ser realizado pela Sema a partir da segunda semana do mês de janeiro para atualizar a condição dos animais.

Christiano explica que os técnicos entrarão em todos os recintos para identificar a situação dos animais e assim avaliar a condição física, se há aqueles em processo de recuperação ou mesmo aptos. Assim que o levantamento for finalizado o número de animais disponíveis pra guarda será informado.

“Qualquer pessoa pode ser um guardiã desde que não esteja cumprindo pena de restrição de direitos relacionados a crimes ambientais. Só podem solicitar a guarda moradores de Mato Grosso”. Clique aqui para saber mais informações sobre guarda provisória.

Uma novidade para 2017 é que a coordenadoria está estudando uma maneira de descentralizar este serviço de forma que, além da sede, as regionais da Sema também tenham autonomia para conceder termos de guarda. “Assim o processo fica mais ágil, pois pessoas de outros municípios poderão entrar em contato com a regional da Secretaria mais próxima para solicitar a guarda de um animal impossibilitado de ser solto”.

Soltura assistida

Além dos serviços de resgate e soltura imediata à natureza, a Sema passou a realizar este ano a soltura assistida, em que o animal é monitorado por alguns meses pela equipe do órgão ambiental para ter sua aclimatação no habitat natural avaliada. “Alguns animais precisam se adaptar ao local e reaprender de forma gradativa a conviver na natureza”.

Christiano pontua que esse acompanhamento é feito porque há solturas que não podem ocorrer de maneira abrupta, “sem um preparo o animal pode se tornar presa fácil para outros animais”.

Há quase nove meses, uma anta filhote foi o primeiro animal resgatado pela Sema destinado à soltura assistida, ela foi resgatada em agosto de 2015 em uma fazenda localizada no município de Santa Rita do Trivelato (344 km ao norte de Cuiabá) e foi solta em março de 2016 em uma área de 5 mil m², situada a cerca de 50 km do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, perto do Rio da Casca. Leia mais sobre a soltura da anta filhote neste link. Em novembro foi realizado a soltura assistida de outras duas antas.

Atualmente existem seis áreas para reintrodução de animais. Todas elas foram cedidas voluntariamente sem custo algum ao Estado. “As pessoas se solidarizam com a causa e cedem suas propriedades para realizarmos a soltura assistida. Elas constroem o recinto de acordo com a necessidade do animal”.

Criar animal silvestre é crime

A Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, estabelece pena de seis meses de detenção e multa para quem manter em casa animais silvestres sem a devida autorização/licença do órgão competente. A sanção vale também para quem matar, caçar, vender ou transportar estes animais. “Nossa equipe e os parceiros que fiscalizam e trabalham no resgate à fauna no estado estão empenhados em combater os crimes contra os animais”.

Denúncias ou informações

A Sema orienta que quem presenciar atropelamentos ou outras situações, como abandono, por exemplo, tenha cuidado. Alguns animais silvestres oferecem riscos, especialmente quando machucados. Para outras informações ou mesmo em caso de resgate, ligue para o número 190, da Polícia Militar. Em caso de dúvida, entre em contato com a Coordenadoria de Fauna: (65) 3613-7291/ faunaepesca@sema.mt.gov.br

Fonte: Governo de Mato Grosso

 

Floresta com tipos diferentes de planta se recupera melhor após ser submetida a aquecimento moderado, conclui pesquisa, que amplia entendimento da importância da biodiversidade.

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Foto: Neil Palmer/ Wikimedia Commons/ Creative Commons.

Um grupo internacional de cientistas pôde, pela primeira vez, demonstrar em larga escala que florestas com maior diversidade de características e funcionalidades de plantas têm também maior potencial de adaptação a mudanças no clima, utilizando a Amazônia como estudo de caso. O estudo, publicado no periódico Nature Climate Change no dia 29 de agosto de 2016, reforça a importância da preservação da biodiversidade como instrumento de políticas públicas contra o agravamento da crise climática.

“É nítido que a biodiversidade não é um benefício adicional, e sim um aspecto fundamental para a sobrevivência a longo prazo das grandes reservas de biomassa da Terra, como a floresta amazônica”, afirmou Boris Sakschewski, do Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam, que liderou o trabalho. “A diversidade vegetal pode permitir que o maior ecossistema tropical do mundo se ajuste a certo nível de mudança climática – árvores que hoje são espécies dominantes, por exemplo, poderiam dar lugar a outras que seriam mais adaptadas às novas condições.”

Para estudar como a diversidade funcional de plantas contribui para a resiliência de florestas tropicais, o grupo primeiro investigou uma pequena área de floresta no Equador, com base em sua resposta, realizou simulações em computador para toda a bacia amazônica. “É um modelo bastante interessante e que traz a mensagem de que, além da diversidade de espécies numa floresta, devemos olhar para a diversidade de características e funcionalidades das plantas para a manutenção do serviço cumprido por elas”, afirma o ecólogo Daniel Piotto, da Universidade Federal do Sul da Bahia.

O modelo biogeoquímico desenvolvido, que simula ambientes florestais diversos, mostrou que essa diversidade pode permitir que a floresta se ajuste a novas condições climáticas e mantenha seu potencial de sumidouro de carbono: enquanto árvores acima de 30 m, atuais maiores contribuintes para a biomassa do ambiente, seriam reduzidas no médio prazo, a vegetação do sub-bosque, de tamanho médio e árvores mais jovens, teria oportunidade de receber mais luz e se regenerar para as novas condições. No modelo, essa mudança melhorou o equilíbrio de carbono e a taxa de sobrevivência das árvores, o que causou recuperação de biomassa e estrutura para as espécies.

A notícia, porém, não representa um alívio de preocupações: enquanto, num cenário de cumprimento das metas do Acordo de Paris e emissões moderadas, a taxa de recuperação seria em torno de 84% após alguns séculos, o dano causado por emissões em massa, sem respeito ao acordo ou aumento de ambição das propostas sobre a mesa, permitiria que apenas 13%. da área se recuperasse pelas mesmas condições.

O novo estudo é mais um de uma série de trabalhos recentes mostrando relações importantes entre biodiversidade florestal e clima. Desde o ano passado, por exemplo, pesquisas chefiadas pelo ecólogo paraense Carlos Peres, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), e pelo biólogo Mauro Galetti, da Unesp de Rio Claro, têm mostrado, entre outras coisas, que a caça de mamíferos como queixadas e antas ajuda a reduzir a dispersão de árvores grandes, diminuindo a fixação de carbono pelas matas na Amazônia.

Fonte: Camila Faria/ Observatório do Clima.

Alguns dos indivíduos utilizados para a revisão da subespécie Deltochilum amazonicum foram encontrados na Fazenda São Nicolau (Foto: Thiago Foresti/ Forest Comunicação/ https://goo.gl/rl2qc7)

Alguns dos indivíduos utilizados para a revisão da subespécie Deltochilum amazonicum foram encontrados na Fazenda São Nicolau (Foto: Thiago Foresti/ Forest Comunicação/ https://goo.gl/rl2qc7)

 

O objetivo do estudo foi revisar o subgênero Hybomidium, pertencente ao gênero Deltochilum da família dos escaravelhos. A pesquisa analisou mais de 900 besouros e constatou a existência de quatro novas espécies, além de conceder o status de subespécie para o Deltochilum amazonicum. Os resultados foram publicados em 2014 no artigo científico assinado pelo curador da coleção entomológica do Instituto Alexander von Humboldt da Colômbia, Arturo González-Alvarado, e pelo professor Fernando Vaz de Mello da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).

O Deltochilum abriga mais sete subgêneros, além do Hybomidium, totalizando cerca de 90 espécies reconhecidas. A distribuição territorial do Deltochilum abrange desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. A maioria dos indivíduos habita ambientes de florestas tropicais.

A revisão de Hybomidium identificou 13 espécies e uma subespécie. A partir da análise da morfologia dos besouros machos e da distribuição dos indivíduos, constatou-se que o D. amazonicum é uma subespécie de Deltochilum orbignyi. A descrição anatômica de ambos é semelhante. Porém, o corpo do D. amazonicum é preto, enquanto o D. orbignyi tem coloração acobreada. A localização dos besouros também é diferente. O D. orbignyi se encontra na Bolívia e no norte da Argentina. Os espécimes de D. amazonicum estão presentes na bacia Amazônica, a exemplo da Fazenda São Nicolau em Cotriguaçu (MT).

As quatro novas espécies observadas são: Deltochilum bezdeki, Deltochilum carrilloi, Deltochilum molanoi e Deltochilum louzadai. Na publicação, os autores apresentam várias características e informações de distribuição dos besouros pesquisados, a fim de auxiliar futuras investigações.

 

Referência Bibliográfica:

González-Alvarado, A., Vaz-de- Mello, F. Z. (2014, October). Taxonomic review of the subgenus Hybomidium Shipp 1897 (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae: Deltochilum). In Annales de la Société entomologique de France (NS) (Vol. 50, No. 3-4, pp. 431-476). Taylor & Francis.

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Nova espécie identificada é batizada de Hansreia peugeoti em referência a projeto desenvolvidos na Fazenda São Nicolau (Foto: Fernando Vaz de Mello et. all)

 

A identificação da H. peugeoti decorreu da revisão do gênero Hansreia, proposto em 1977 com apenas uma espécie e, desde então, sem novas inclusões. O H. peugeoti foi encontrado na Fazenda São Nicolau, Cotriguaçu – MT, e recebeu o nome em homenagem à empresa produtora de carros Peugeot, que financia o projeto Poço de Carbono Peugeot-ONF. Outras duas novas espécies foram identificadas a partir da pesquisa liderada pelo biólogo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Dr. Fernando Vaz de Mello. A análise expandiu o gênero Hansreia para o total de seis espécies, resultando em uma tabela com as características para a identificação dos besouros.

O Hansreia é um pequeno gênero amazônico de besouros “rola-bosta”, que podem ser encontrados no Brasil, na Venezuela e na Guiana. Algumas características do gênero são: o pronoto – primeiro segmento do tórax – metálico de cor esverdeada, avermelhada ou amarelada; a cavidade no dorso que percorre de uma lateral até a outra do corpo; e a cobertura para as asas de cor marrom opaca.

Para identificar as espécies, observou-se a morfologia do órgão genital masculino de 530 indivíduos, a fim de esclarecer as diferenças taxonômicas entre os espécimes. O material estudado foi coletado na seção de entomologia das coleções zoológicas da Universidade Federal do Mato Grosso e do Museu Paraense Emílio Goeldi; na coleção de Scarabaeinae do Museu de Zoologia da Universidade Federal do Pará; e em museus da Alemanha, do Canadá e da Dinamarca.

A partir da análise, os pesquisadores estabeleceram características para a identificação do H. peugeoti. Os indivíduos machos desta espécie possuem o pronoto liso com um forte brilho metálico esverdeado. O tórax é rodeado por microtúbulos densos, localizados na lateral e na parte posterior do animal. Já o esclerito – placas de quitina que revestem os artrópodes em geral –possui a forma de uma ferradura curvada, com um “braço” curto em sua margem interna.

Além da nova espécie encontrada na São Nicolau, ao total, seis outras integraram o gênero Hansreia. As referidas espécies são a H. coriacea, H. affinis, H. oxygona e as três espécies inéditas, H. peugeoti, H. grossii e H. krinskii.

 

Referência Bibliográfica:

Valois, M., Vaz-De-Mello, F. Z., & Silva, F. A. (2015). A taxonomic review of the Neotropical genus Hansreia Halffter & Martínez, 1977 (Coleoptera: Scarabaeidae, Scarabaeinae). Zootaxa, 4027(2), 205-226.