Plantios são monitorados segundo metodologia da ONF Brasil e ONF International (Foto: Alan Bernardes/ ONF Brasil)

Plantios são monitorados segundo metodologia da ONF Brasil e ONF International (Foto: Alan Bernardes/ ONF Brasil)

 

A atividade faz parte do inventário anual dos plantios do Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF (PPCFPO). Conduzida na Fazenda São Nicolau, a iniciativa iniciou em agosto e deve ser concluída no inicio de setembro. Ao todo, serão monitoradas 420 parcelas permanentes, alocadas em 84 talhões do projeto. O método segue as regras definidas pelo protocolo dos plantios, elaborado em parceria pela ONF Brasil e ONF International e validado pela certificadora VCS (Verified Carbon Standard, pela sigla em inglês).

A prática do inventário existe desde 2003 e é uma forma de monitorar o sequestro de carbono alcançado a partir do reflorestamento com 50 espécies nativas. No período da seca, no qual é realizada a medição, algumas espécies perdem as folhas. Porém, durante o ano na Fazenda São Nicolau, a beleza das árvores enche os olhos de estudantes, colaboradores e pesquisadores. A atuação científica é central para o PPCFPO, executado pela ONF Brasil. Ambas as iniciativas nasceram com o propósito de testar o conceito de poço de carbono florestal, consagrado pelo Protocolo de Kyoto – cujo objetivo era combater a emissão de gases de efeito estufa.

O PPCFPO é uma experiência bem-sucedida para demonstrar que é possível reflorestar o território amazônico com espécies nativas e com resultados de estocagem efetiva de carbono a partir do crescimento das árvores. Os plantios iniciaram em 1999 e usaram 50 espécies de nativas (na grande maioria dos 2.000 ha de área de pastos degradados reflorestados) e apenas 2 exóticas (teca e jamelão) em talhões minoritários.

Anualmente o inventário ocorre em duas etapas. A primeira compreende a coleta dos dados em campo pela equipe da ONF Brasil e colaboradores. Cada uma das parcelas mensurada e delimitadas por lascas de madeira tem 1000 m2 (com dimensões de 50 m e 20 m). As mesmas árvores são mensuradas, de forma continua, com a coleta dos dados de CAP (Circunferência na Altura do Peito), altura e estado fitossanitário dos indivíduos que foram plantados pelo projeto.

A segunda fase do inventário prevê a sistematização dos dados em planilha e, posteriormente, a quantificação do carbono estocado por meio do software calculador Camara.

A atividade é realizada todos os anos e, em 2017, recebeu o apoio de 8 acadêmicos de Engenharia Florestal da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), campus Alta Floresta. Os estudantes que participam do inventário têm a oportunidade de praticar em campo o conhecimento adquirido na academia. Neste ano, a Prof. Fabrícia Rodrigues foi responsável pela orientação e acompanhamento dos estagiários. Os alunos foram selecionados por meio de edital lançado pela ONF Brasil em junho. O estudante de mestrado em Ciências Agronômicas da Universidade Livre de Bruxelas (ULB), Clément Bocque, que atualmente coleta dados na Fazenda São Nicolau para o seu Trabalho de Conclusão de Curso, também contribuiu com a atividade.

 

Veja mais fotografias do inventário:

Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 1 Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 7

 

 

Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 9 Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 10
Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 9 Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 7
Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 8 Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 3
Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 2 Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF mede quantidade de carbono estocado nas árvores de reflorestamento da Fazenda São Nicolau 6

Imagem ilustrativa de um perfil de solo (Diagrama: Carlosblh/ Wikimedia Commons/ Creative Commons/ https://goo.gl/d15nxj)

Imagem ilustrativa de um perfil de solo (Diagrama: Carlosblh/ Wikimedia Commons/ Creative Commons/ https://goo.gl/d15nxj)

 

As ferramentas analisadas foram a espectroscopia de reflectância no infravermelho próximo (NIRS) e as funções de pedotransferência (FPT). O NIRS é um método barato, rápido e de fácil replicação. Os solos são classificados de acordo com a análise de como o reflexo deste material pode ser disposto na área próxima ao espectro infravermelho. Por outro lado, as FPTs são um método de estimativa de características físicas do solo, como a retenção de água e a resistência à penetração.

Os estudiosos utilizam regressões matemáticas e softwares para definir regras que ajudem a definir algumas propriedades que são frequentemente mais difíceis de mensurar. O estudo foi realizado pelo Dr. Martial Bernoux e parceiros. O pesquisador é membro do Comitê Científico e Técnico do projeto Poço de Carbono Florestal PEUGEOT-ONF e diretor de pesquisa, na França, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD).

Ao comparar o desempenho entre os métodos, os estudiosos pretendiam verificar a capacidade do NIRS de estimar a densidade do solo. Afinal, as análises da quantidade de carbono estocado necessitam de valores referentes à densidade do solo. Porém, a coleta de amostras e a medição desta propriedade são processos trabalhosos e dispendiosos. Além disso, os cálculos se tornaram importantes para compreender os ciclos do carbono face às alterações ambientais geradas pelas mudanças climáticas.

O corpus da pesquisa abrangeu 1.184 amostras de solo de uma região de reflorestamento na bacia da Amazônia brasileira. O solo foi coletado nas seguintes profundidades: 0-5 cm, 5-10 cm, 10-20 cm e 20-30 cm. A opção por estes recortes se explica pelo fato de que 57% do carbono armazenado nos 100 cm do topo do solo amazônico estão na profundidade entre 0 e 30 cm.

O estudo foi realizado na Fazenda São Nicolau (Cotriguaçu, MT), cujo histórico compreende um período de desmatamento da floresta nativa e produção de pastagens entre 1981 e 1999, outro de queimada dos pastos entre 1999 e 2003 e, por fim, um de plantação de árvores entre 1999 e 2003. Cabe lembrar que a Amazônia se destaca pelo papel que cumpre no estoque de carbono. Dessa maneira, métodos confiáveis para medir o sequestro de carbono na Amazônia podem contribuir para acumular conhecimento sobre os fluxos de carbono na floresta tropical.

Além disso, excluindo as rochas carbonáticas (como o calcário), de uma forma geral, o solo é considerado como o maior poço de carbono terrestre. Há o armazenando entre 1500 e 2000 bilhões de toneladas de carbono nos 100 cm superiores do perfil do solo.

A exatidão do NRIS apresentou uma margem de erro próxima de zero, com a variação de 0,0002 gramas por cm3. A estimativa do método também revelou a menor quantidade de erros. Portanto, os métodos NRIS apresentaram resultados satisfatórios para a medição da densidade do solo, ainda que o desempenho não seja significativamente melhor que aquele das FPTs. Porém estas necessitam de outros parâmetros, que nem sempre estão disponíveis aos pesquisadores.

 

Referência Bibliográfica:

MOREIRA, C.S., BRUNET, D., VERNEYRE, L., SÁ, S.M.O., GALDOS, M.V., CERRI, C.C. e BERNOUX, M. (2009, October). Near infrared spectroscopy for soil bulk density assessment. In European Journal of Soil Science, 60, 785–791.

 

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Foto: Pixabay/ Domínio Público.

As emissões brutas de gases do efeito estufa no Brasil cresceram 3,5% em 2015 em relação a 2014, segundo balanço divulgado no dia 26 de outubro de 2016 pelo Observatório do Clima – rede que reúne 40 organizações da sociedade civil. De acordo com o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg), o país emitiu 1,927 bilhão de tonelada de CO2 em 2015, contra 1,861 bilhão de toneladas em 2014.

O desmatamento foi, segundo o estudo, o principal responsável pelo aumento, o que contrariou a tendência de queda no lançamento de poluentes, esperada em um ano de recessão, com retração de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

As emissões por mudanças no uso da terra cresceram 11,3% em 2015. A transformação de áreas de mata em pasto ou plantações representa 46% das emissões brasileiras. Nesse sentido, o observatório destaca que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apontou para um aumento de 25% na taxa de desmatamento na Amazônia em 2015 em relação ao ano anterior.

Energia

O setor de energia, responsável por 24% das emissões no país, registrou queda de 5,3% no lançamento de poluentes em 2015. Além da redução do nível da atividade econômica, o estudo aponta para o aumento do uso de energias renováveis como um dos fatores que levaram à redução.

Houve, segundo o levantamento, uma queda de 7,1% no consumo de diesel, devido à diminuição no transporte de cargas ocasionado pela crise. O consumo de etanol e gasolina permaneceu estável. No entanto, o balanço indica uma substituição no uso do fóssil pelo renovável, com aumento de 18,6% do uso de etanol e queda de 9,4% no consumo de gasolina. Com isso, as emissões relacionadas ao uso de combustíveis caíram 7,4%.

A agropecuária, terceira maior responsável pelas emissões no Brasil, com 22% do total de CO2, praticamente não variou em 2015, com um aumento de apenas 0,6% em comparação com o ano anterior.

As emissões industriais (5% do total) tiveram queda de 1,2% no ano passado. A poluição resultante da disposição de resíduos, que representa 3% do CO2 brasileiro, teve ligeira elevação de 0,3%.

Fonte: Daniel Mello/ da Agência Brasil.

Além de promover a preservação do meio ambiente, o reflorestamento também é importante ao produtor rural, tanto no viés econômico, quanto na prática da sustentabilidade.

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Foto: BioBlog.

As iniciativas de reflorestamento têm sido essenciais para promover a redução do gás carbônico (CO2) na atmosfera e, consequentemente, evitar a intensificação do efeito estufa. Isso porque a redução do CO2 ocorre devido à fotossíntese realizada pelas árvores, a qual permite que o carbono fixe na biomassa do solo e do vegetal. À medida que a árvore vai se desenvolvendo, o carbono passa a integrar as folhas, troncos, galhos e raízes. Em torno de 50% da biomassa vegetal é feita de carbono. Para se ter ideia, a Floresta Amazônica detém em média 140 toneladas de carbono por hectare.

Mundialmente, o reflorestamento torna-se essencial para minimizar as alterações climáticas e aumentar os recursos hídricos. De forma pontual, há uma categoria que pode usufruir de diversos benefícios ao promover o reflorestamento: os produtores rurais. As vantagens englobam questões econômicas e de sustentabilidade.

Vantagens econômicas do processo de reflorestamento

Pelo viés econômico, reflorestar reflete em ganhos ao produtor rural e não é preciso dispor de muita mão de obra para colocar em prática essa iniciativa que ajuda a embelezar a paisagem da propriedade e valorizar o imóvel. Muitos produtores veem essa alternativa como uma forma de “guardar economias”, isso porque quando necessário é possível comercializar as árvores, depois replantá-las e realizar esse processo de forma sucessiva.

Reflorestar também permite que a propriedade rural fique autossuficiente para a necessidade de madeira. Tendo madeira à disposição é possível dar origem a currais, realizar construções abertas e ter lenha disponível em tempo integral, tudo isso com matéria-prima obtida na propriedade.

Vantagens do processo de reflorestamento ligadas à sustentabilidade

Geralmente as espécies usadas para o reflorestamento se desenvolvem num curto período de tempo, abrindo possibilidade para que elas sejam uma opção de matéria-prima de baixo custo para os produtores rurais. Reflorestar também permite aproveitar as áreas marginais, combater a erosão do solo, maximizar o desempenho das bacias hidrográficas e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto ambiental negativo que as culturas tradicionais de plantação geram ao solo.

Soluções biológicas

Essa mesma linha de preocupação ambiental levou a Novozymes, líder mundial no segmento de enzimas industriais e bioinovação, a participar da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) de forma ativa, integrando as discussões de políticas públicas e de soluções para serem colocadas em prática ao longo das próximas décadas, envolvendo a promoção da economia verde. A Novozymes vem trabalhando incessantemente na formulação de alternativas renováveis para substituir o uso de produtos químicos que tem origem fóssil.

Fonte: BioBlog.

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Foto: Pnuma

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, informa que Angola e Brasil lideram as emissões de gases de carbono na agricultura, florestas e uso da terra entre os países de língua portuguesa.

De acordo com estimativas apresentadas, no dia 17 de outubro, em milhões de toneladas, o Brasil emite 441.905, seguida por Angola com 29.584.

Melhorar a produção

Para a Diretora do Escritório da FAO nas Nações Unidas em Nova Iorque, Carla Mucavi, o mundo deve optar por produzir mais com menos recursos e aproveitar os resíduos para melhorar a produção.
“Temos que gerir ou manusear os recursos naturais de forma mais responsável. Vários países em vias de desenvolvimento deparam-se com este problema e até países mais desenvolvidos de forma diferente quando a gente fala de perdas de produção. Produzimos mas não conseguimos ter o produto final em condições que podiam nos permitir produzir menos.”

Queima de resíduos

Nas posições seguintes estão Moçambique com 17.705 milhões de toneladas, Portugal com 6.324 e Guiné-Bissau com 1.651.

Timor-Leste emite 784 milhões de toneladas de gases de carbono na agricultura, Cabo Verde 112 e na última posição está São Tomé e Príncipe 16. O Brasil também lidera na queima de resíduos de colheita com 1.932 milhares de toneladas.

Mudança

O Estado da Alimentação e da Agricultura 2016, com a sigla Sofa, destaca que a forma como são produzidos e consumidos os alimentos deve mudar urgentemente.

O objetivo é reduzir a quantidade de emissões de gases de carbono produzidos pela agricultura e ajudar os agricultores a adaptarem-se às mudanças climáticas. O documento foi lançado como parte da celebração do Dia Mundial da Alimentação assinalado domingo.

A agência defende que sem uma ação rápida, a mudança climática vai colocar milhões de pessoas em risco de fome e a pobreza.

Renda

A FAO destaca desafios assustadores mesmo sem as alterações climáticas na agricultura mundial no estado da segurança alimentar. Entre eles está o crescimento da população e do aumento da renda em grande parte do mundo em desenvolvimento que têm pressionado a demanda por alimentos e outros produtos agrícolas a níveis sem precedentes.

A estimativa da agência é que para atender à demanda por alimentos em 2050, a produção mundial anual de produtos agrícolas e gado seja de 60% maior do que era em 2006.

Safras

A agência destaca ainda que cerca do 80% desse aumento deverá vir dos rendimentos mais elevados e 10% do número de safras anuais.

O estudo destaca que o potencial de rendimento é limitado pela degradação generalizada da terra e a crescente falta de água.

A agência quer mais esforços para reduzir a pobreza e para uma transição para uma agricultura produtiva e sustentável. Sem isso, muitos países de baixa renda terão dificuldades de garantir o acesso a quantidades suficientes de comida para toda a sua população.

Fonte: Eleutério Guevane/ Rádio ONU em Nova Iorque.

Organização Meteorológica Mundial afirma que este ano tem 95% de chance de ser o mais quente da história e que cumprir meta de 1,5oC do Acordo de Paris exigirá esforço “dramático”.

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Foto: Tpsdave/ Pixabay/ Domínio Público.

O aquecimento da Terra nos primeiros nove meses de 2016 chegou a cerca de 1,2oC acima da média pré-industrial e há hoje 95% de chance de que o ano termine batendo o recorde absoluto de mais quente desde o início dos registros.

O recado vem da Organização Meteorológica Mundial, que lançou nesta segunda-feira na COP22, em Marrakesh, seu balanço anual preliminar O Estado do Clima.

Segundo o documento, as temperaturas globais entre janeiro e setembro foram 0,88oC mais altas que a média do período 1961-1990, e cerca de 1,2oC maiores que a média pré-industrial. Em 2015, o planeta atingiu 1oC acima da média pré-industrial. Em algumas regiões do Ártico russo, as temperaturas chegaram a 7oC acima da média.

Recordes de eventos extremos foram batidos novamente ao longo de todo o ano: no verão, uma localidade no Kuwait atingiu 54oC, a temperatura mais alta já registrada na Ásia; a Tailândia bateu seu recorde absoluto, com 44,6oC; furacões atingiram o Sudeste Asiático, as ilhas do Pacífico, a Coreia do Norte e o Caribe, com o furacão Matthew encabeçando a lista das tempestades mais letais: 546 mortos no Haiti. A única porção de terra do mundo com temperaturas abaixo da média neste ano foi uma região entre o norte da Argentina, o Paraguai e a Bolívia.

Um relatório do Banco Mundial lançado também nesta segunda-feira em Marrakesh dá uma dimensão dos impactos desses extremos: segundo o banco, o prejuízo causado por desastres naturais no mundo tem sido subestimado em 60%: as perdas em consumo chegam a US$ 520 bilhões 26 milhões de pessoas são empurradas para a pobreza todos os anos.

ALTA VELOCIDADE

O salto de 0,2oC em apenas um ano é uma mudança de marcha desde o início das medições globais com termômetros, em 1880. Daquela época até 2012, o planeta aqueceu 0,85oC e, de 2012 a 2015, 0,15oC.

De acordo com o secretário-executivo da OMM, Petteri Talaas, a tendência atual de aquecimento foi turbinada pelo forte El Niño de 2015/2016, que além de elevar a temperatura dos mares causou uma série de outras perturbações nos ecossistemas que ajudaram a impulsionar ainda mais a subida do termômetro global. Alguns desses fenômenos, como os megaincêndios florestais do Canadá deste ano, ainda mantiveram as emissões de CO2 em alta, mesmo com uma estabilização no setor de energia em 2015.

As temperaturas seguem elevadas mesmo nos últimos meses, com a reversão do El Niño para La Niña, quando as águas do Oceano Pacífico resfriam. “É provável que a temperatura não seja tão alta no ano que vem”, disse Maxx Dilley, chefe de Previsão de Clima e Adaptação da OMM. No entanto, prosseguiu, “a mudança está acontecendo muito mais rápido que a capacidade do processo de acompanhar”.

O “processo” a que Dilley se referiu é o Acordo de Paris, o único mecanismo internacional já proposto para enfrentar a mudança do clima. O acordo está tendo os detalhes de sua implementação rascunhados na COP de Marrakesh, que entra em sua fase decisiva nesta terça-feira, com a chegada de ministros de 196 nações.

Paris estabelece que o mundo precisa estabilizar o aquecimento da Terra em bem menos de 2oC em relação à era pré-industrial e fazer esforços para limitá-lo a 1,5oC.

Na hipótese de os próximos anos repetirem o salto de temperatura de 2016, o limite de 1,5oC terá sido ultrapassado em 2018. A chance de isso acontecer é muito baixa, mas a série de recordes de extremos climáticos deste ano ajuda a pôr em perspectiva a dificuldade que o mundo terá de cumprir a meta.

Falando a jornalistas nesta segunda-feira em Marrakesh, o finlandês Petteri Talaas praticamente descartou que seja possível evitar a ultrapassagem da meta de 1,5oC sem recorrer a tecnologias de emissão negativa – ou seja, de captura ativa de carbono da atmosfera.

“[A meta de 1,5oC] ainda é factível, mas precisaremos de um declínio muito dramático nas emissões ao longo dos próximos anos, e a questão passa a ser quão preparados os países estão para gerenciar esse declínio.”

Talaas recusou-se a comentar o impacto que a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA terá sobre as metas de Paris e a tendência de aquecimento. No fim de semana, relatos na imprensa internacional afirmaram que Trump quer retirar os EUA do Acordo de Paris, como prometeu na campanha, da forma mais rápida possível.

BALANÇO DE CARBONO

A única boa notícia da manhã de segunda-feira em Marrakesh foi dada pelos pesquisadores do Global Carbon Budget Project, ligado à Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Eles afirmaram que as emissões de CO2 por queima de combustíveis fósseis em 2016 devem ficar estagnadas pelo terceiro ano consecutivo.

A redução no uso de carvão mineral para geração de eletricidade nos EUA e na China estão entre os principais fatores da redução. No entanto, alertou a equipe britânica, as emissões por mudanças de uso da terra continuaram altas, o que fez com que a concentração de gases-estufa na atmosfera aumentasse. Desmatamento na Indonésia (cujas florestas contêm muito mais carbono que as da Amazônia) e incêndios florestais no Canadá estão entre as causas do crescimento.

Fonte: Claudio Angelo e Camila Faria/ Observatório do Clima.