A maior parte das espécies produzidas são pioneiras (Foto: Acervo da ONF Brasil)

A maior parte das espécies produzidas são pioneiras (Foto: Acervo da ONF Brasil)

O objetivo é recuperar 120 hectares em 10 anos e a meta para 2017, período da sexta etapa da iniciativa, é restaurar uma nova área de 12 hectares com plantios de espécies nativas e também com o estímulo à regeneração natural. A maioria das mudas produzidas, aproximadamente 70%, são de espécies pioneiras ou secundárias iniciais. De rápido desenvolvimento e responsáveis por melhorar as condições ambientais com a geração de sombreamento, por exemplo, as plantas pioneiras abrem caminho para as espécies secundárias tardias e a comunidade clímax. As principais pioneiras escolhidas para a produção de mudas no viveiro são a Paineira barriguda, Paricá, Mutamba e Ingá. Entre as espécies clímax, destacam-se principalmente o Jatobá, a Castanha do Pará, o Ipê amarelo e o Ipê roxo.

As atividades de restauração nas Áreas de Preservação Permanentes Degradadas (APPDs) da São Nicolau se inserem no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 8607/2012) assinado entre a ONF Brasil e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT). A produção teve início em agosto com o plantio das primeiras sementes, coletadas na própria fazenda, adquirida de coletores do assentamento PA (Projeto de Assentamento) Juruena ou a partir da compra em redes de sementes.

As mudas devem ser plantadas em dezembro, no início das chuvas (Foto: Acervo da ONF Brasil)

As mudas devem ser plantadas em dezembro, no início das chuvas (Foto: Acervo da ONF Brasil)

Em outubro cerca de 10 mil mudas de 25 espécies já estão em fase de desenvolvimento. Ao final do processo, em dezembro, pretende-se alcançar a marca de 15 mil mudas de 30 diferentes espécies, das quais 11 mil serão utilizadas na Fazenda São Nicolau e as demais disponibilizadas para restauração em outras áreas potenciais, como por exemplo as APPs (Áreas de Proteção Permanente) degradadas às margens do Rio Juruena, no PA Juruena, apoiando o projeto Reflorestamento Afirmativo. A maior parte das mudas estarão prontas para o plantio em dezembro, período ideal para expedição a campo, devido ao início da estação chuvosa.

Atividades de restauro em parceria com o MPE

A iniciativa, realizada em dezembro de 2016, foi a primeira ação do projeto “10x Amazônia” e contou com a presença da sociedade civil, executores do projeto e parceiros. O plantio das espécies nativas doadas pela ONF Brasil ocorreu em uma área da União, às margens do Rio Juruena, no Projeto de Assentamento (PA) Juruena em Cotriguaçu, Mato Grosso. Em 2015, este território sofreu tentativa de grilagem, inspirando então o apoio da ONF Brasil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cotriguaçu (SMMA) com o oferecimento de mudas para o reflorestamento. O coordenador de silvicultura da Fazenda São Nicolau, o engenheiro florestal Alan Bernardes, forneceu as orientações técnicas para o plantio.

O “10x Amazônia”, concebido pelo Promotor de Justiça Cláudio Gonzaga, é um projeto do Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE/MT) para obrigar os agentes causadores de danos ambientais a repararem a ilegalidade cometida, a fim de recuperar a área desflorestada. O objetivo é executar ações imediatas de combate ao desmatamento por meio da responsabilização civil, criminal e administrativa dos responsáveis.

A atuação do MPE/MT inicia pelas Áreas de Preservação Permanente do Rio Juruena ilegalmente invadidas e deve alcançar as demais regiões desmatadas também ilegalmente. No caso do PA Juruena, os agentes causadores dos danos foram identificados e avisados sobre o mutirão pela Policia Militar.

As ações propostas pelo projeto seguirão o Roteiro de Reflorestamento Emergencial do Bioma da Amazônia Meridional, com orientações técnicas comuns aos Planos de Recuperação de Área Degradada. Portanto, as atividades devem valorizar as espécies nativas da região e o desenvolvimento econômico local.

A intenção em longo prazo é expandir programas com este para toda a Floresta Amazônica brasileira. Desta forma, é possível preservar o bioma e ficar mais próximo da meta prometida pelo Brasil na Cúpula do Clima de Paris: zerar o desmatamento ilegal e recuperar 12 milhões de florestas devastadas até 2030.

Veja a seguir as fotos do mutirão de 17 de dezembro de 2016:

Atividades de restauro em parceria com o MPE 2

Foto: Acervo ONF/Brasil

 

Atividades de restauro em parceria com o MPE 3

Foto: Acervo ONF/Brasil

 

Foto: Acervo ONF/Brasil

Foto: Acervo ONF/Brasil

 

Atividades de restauro em parceria com o MPE 1

Foto: Acervo ONF Brasil

 

Atividades de restauro em parceria com o MPE 5

Foto: Acervo ONF Brasil

 

Viveiro com as mudas de 38 espécies nativas (Foto: Acervo da ONF Brasil)

Viveiro com as mudas de 38 espécies nativas (Foto: Acervo da ONF Brasil)

Em 2016, as atividades de reflorestamento entraram na quinta etapa do processo de Restauração nas Áreas de Preservação Permanentes Degradadas (APPDs) da fazenda em Cotriguaçu, MT. Foram produzidas 16 mil mudas para o plantio em 12 hectares, que, em conjunto com as ações realizadas nos últimos cinco anos, serão responsáveis pelo cumprimento da metade da meta, já neste ano.

As plantas selecionadas para a iniciativa compreendem 38 espécies nativas, dentre elas o Cedro rosa, a Paineira, a Castanheira, o Jatobá e o Ingá. Além do reflorestamento, outra técnica a ser utilizada para a recuperação da área é a Regeneração Natural, deixando que os processos naturais conduzam ao desenvolvimento livre da vegetação e aproveitando o potencial de regeneração de algumas áreas.

As ações decorrem do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 8607/2012) assinado entre a ONF Brasil e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT). O dispositivo legal determina a restauração nas Áreas de Preservação Permanentes (APPs) da Fazenda São Nicolau a partir de 2012.

De uma forma geral, a iniciativa de reflorestamento no território começou nas áreas de Reserva Legal com o projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF em 1998. Atualmente o TAC de 2012 assegura a continuidade do plantio, agora nas Áreas de Restauração. As ações são necessárias, pois, antes da aquisição da São Nicolau pela ONF Brasil, de 1981 até 1998, a fazenda sofreu com o desmatamento, a queimada e a implementação de pastos. Os diferentes projetos e parcerias firmados pela empresa florestal contribuem para a recuperação e conservação ambiental da área.

A equipe da ONF Brasil trabalha pela restauração de áreas degradadas da Fazenda São Nicolau (Foto: Acervo da ONF Brasil)

A equipe da ONF Brasil trabalha pela restauração de áreas degradadas da Fazenda São Nicolau (Foto: Acervo da ONF Brasil)

 

Além de promover a preservação do meio ambiente, o reflorestamento também é importante ao produtor rural, tanto no viés econômico, quanto na prática da sustentabilidade.

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Foto: BioBlog.

As iniciativas de reflorestamento têm sido essenciais para promover a redução do gás carbônico (CO2) na atmosfera e, consequentemente, evitar a intensificação do efeito estufa. Isso porque a redução do CO2 ocorre devido à fotossíntese realizada pelas árvores, a qual permite que o carbono fixe na biomassa do solo e do vegetal. À medida que a árvore vai se desenvolvendo, o carbono passa a integrar as folhas, troncos, galhos e raízes. Em torno de 50% da biomassa vegetal é feita de carbono. Para se ter ideia, a Floresta Amazônica detém em média 140 toneladas de carbono por hectare.

Mundialmente, o reflorestamento torna-se essencial para minimizar as alterações climáticas e aumentar os recursos hídricos. De forma pontual, há uma categoria que pode usufruir de diversos benefícios ao promover o reflorestamento: os produtores rurais. As vantagens englobam questões econômicas e de sustentabilidade.

Vantagens econômicas do processo de reflorestamento

Pelo viés econômico, reflorestar reflete em ganhos ao produtor rural e não é preciso dispor de muita mão de obra para colocar em prática essa iniciativa que ajuda a embelezar a paisagem da propriedade e valorizar o imóvel. Muitos produtores veem essa alternativa como uma forma de “guardar economias”, isso porque quando necessário é possível comercializar as árvores, depois replantá-las e realizar esse processo de forma sucessiva.

Reflorestar também permite que a propriedade rural fique autossuficiente para a necessidade de madeira. Tendo madeira à disposição é possível dar origem a currais, realizar construções abertas e ter lenha disponível em tempo integral, tudo isso com matéria-prima obtida na propriedade.

Vantagens do processo de reflorestamento ligadas à sustentabilidade

Geralmente as espécies usadas para o reflorestamento se desenvolvem num curto período de tempo, abrindo possibilidade para que elas sejam uma opção de matéria-prima de baixo custo para os produtores rurais. Reflorestar também permite aproveitar as áreas marginais, combater a erosão do solo, maximizar o desempenho das bacias hidrográficas e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto ambiental negativo que as culturas tradicionais de plantação geram ao solo.

Soluções biológicas

Essa mesma linha de preocupação ambiental levou a Novozymes, líder mundial no segmento de enzimas industriais e bioinovação, a participar da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) de forma ativa, integrando as discussões de políticas públicas e de soluções para serem colocadas em prática ao longo das próximas décadas, envolvendo a promoção da economia verde. A Novozymes vem trabalhando incessantemente na formulação de alternativas renováveis para substituir o uso de produtos químicos que tem origem fóssil.

Fonte: BioBlog.

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Foto: Raíssa Genro/ICV.

O Núcleo de Geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), em parceria com o Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geotecnologias da Universidade Federal de Mato Grosso, produziu no início do mês de julho imagens de altíssima resolução em algumas propriedades rurais de Alta Floresta (Mato Grosso). As imagens, feitas com o uso de um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT), conhecido como drone, podem ser usadas para planejar e monitorar a restauração florestal e as atividades produtivas dos imóveis rurais.

A partir dessas imagens, o ICV produziu um vídeo com o objetivo de mostrar de forma audiovisual o potencial das mesmas. A intenção é apresentar essa tecnologia como algo acessível, em especial na área das geotecnologias, pois através da altíssima resolução é possível planejar e monitorar com maior precisão as áreas em restauração florestal.

O vídeo foi lançado no workshop Movimento Municípios Sustentáveis, que aconteceu em Alta Floresta no dia 24 de novembro. O encontro foi realizado entre representantes de 9 municípios da região com o intuito de constituir um observatório social. Segundo o coordenador do Núcleo de Geotecnologias do ICV, Vínicius Silgueiro, a apresentação do vídeo serviu como subsídio “para mostrar que estão disponíveis essas tecnologias, que os municípios podem inserir a aquisição ou contratação desses serviços em projetos e também pensar na utilização disso para diversas ações de gestão e planejamento”.

Além disso, as imagens produzidas também foram utilizadas para a criação de outros produtos, como uma cartilha e artigos científicos apresentados em eventos. Com previsão de lançamento para o mês de dezembro, a cartilha foi produzida a partir dos resultados de análises feitas com o uso dessas imagens.

Outro produto do Núcleo de Geotecnologias que pode ser uma importante ferramenta para a gestão ambiental municipal é a série de Atlas: Conhecendo Municípios do Portal da Amazônia. A série apresenta um conjunto de mapas e dados dos municípios, com informações sobre o uso do solo, hidrografia, estradas, estrutura fundiária e outros.

Fonte: Instituto Centro de Vida.

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Guapuruvú (Foto: José Maria/ Wikimedia Commons/ Creative Commons)

A Empresa Mato-grossense de Pesquisa Assistência e Extensão Rural (Empaer) divulga dados das espécies que obtiveram os melhores resultados no Estado para reflorestamento e produção de madeira. Durante 20 anos, foram avaliadas 30 espécies, sendo 23 nativas e sete exóticas. A pesquisa revela que o maior volume de madeira foi obtido com as árvores, Fava barriguda, Peroba mica, Tatajuba, Bajão e Castanheira. Ao todo foram plantadas 2.250 plantas, sendo 75 plantas.

A pesquisa foi realizada no Centro Regional de Pesquisa e Transferência de Tecnologia da Empaer, no município de Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá). O responsável pelos dados foi o pesquisador da Empaer, Eliazel Vieira Rondon. Segundo ele, foram avaliados a Altura do Peito da Planta (DAP), altura total, volume de madeira, índice de mortalidade e ocorrência de pragas e doenças. Também a interferência do solo (pH, fósforo e saturação de base baixa), clima e ataque de fungos.

Segundo Rondon, Mato Grosso possui mais de 200 mil hectares de reflorestamento com as espécies de eucalipto, teca e seringueira. O que surpreendeu o pesquisador foi o comportamento das espécies mais plantadas no Estado, que tiveram um comportamento abaixo do esperado. Ele aconselha que as espécies com problemas fitossanitários, exigentes em condições de solo com alto índice de mortalidade, não devem ser plantadas em larga escala na região Norte de Mato Grosso.

Nesses 20 anos de estudo foram identificadas as espécies com maiores índices de mortalidade tais como a guapuruvu, teca, cinamoma, ipê roxo, pinho cuiabano, cerejeira, E. citriodora, E. grandis, pinus caribaea, mogno, freijó, mogno africano, parapará, gmelina e sumaúma. Outras espécies como a seringueira, angelim saia, pau ferro, louro preto, aroeira, marupá, cedrinho, amescla e champanhe em plantio heterogêneo apresentaram comprimento em torno de 3 metros. Uma alternativa para essas espécies é sua utilização para arborização de parques, avenidas e recuperação ou enriquecimento de áreas.

O pesquisador destaca que para obter retorno econômico dessas espécies é necessário fazer uma supervisão dos plantios anualmente. Caso o índice de mortalidade ultrapasse 50% é importante efetuar o corte raso em todo plantio. Rondon explicaque o reflorestamento com espécies de rápido crescimento permite a exploração da apicultura, produção de sementes, seqüestro e venda de carbono, madeiras para cercas, mourões, postes e outros.

Segundo ele, dessas espécies a fava barriguada (Parkia gigantocarpa) é a menos conhecida pelo setor florestal, no entanto, já existem publicações citando o potencial da espécie para confecção de móveis, brinquedos e compensados. “O solo do Mato Grosso na grande maioria é ácido, deficitário em nutriente. Outro entrave é caracterização do clima em duas estações bem definidas, uma chuvosa e outra seca, nesse período as espécies perenes ficam vulneráveis a pragas e doenças, e seu crescimento é limitado”, enfatiza.

Em plantio comercial sempre ficar atento com o volume das espécies a serem plantadas visando o lado financeiro. Os resultados alcançados do experimento servem para direcionar os futuros reflorestamento no estado. “Fazer plantio de uma espécie só é investimento perdido devido sua fragilidade em doença e pragas caracterizando um ecossistema instável”, explica.

Resultados de pesquisa

A madeira de fava barriguda pode ser utilizada para fabricação de compensados, móveis, caixotaria e brinquedos, além de possuir potencial para produção de polpa celulósica e papel. A tatajuba tem utilidade na construção civil (viga, caibro e taboa). A castanha do brasil, embora tenha um crescimento inicial lento, alcança 15 metros de altura. Possui a amêndoa que é fonte de proteína e sais minerais. Conforme o pesquisador, essa madeira e é protegida por lei é muito requisitada pelos madeireiros que utilizam na construção civil.

As espécies peroba mica pode ser utilizada para confecção de cabo de ferramenta e a bajão foi considerada mais resistente ao vento que o Pinho cuiabano. Sua madeira é adequada para celulose, papel e serve para confecção de móveis, caixotaria e brinquedos.

Fonte: Rosana Persona (Empaer-MT/ Governo de Mato Grosso)