07

jun

2018

Intercâmbio entre agricultores do Noroeste de Mato Grosso incentiva troca de experiências sobre terreiro suspenso para a pós-colheita do café

Por forest
Terreiro suspenso aprimora etapa de pós-colheita (Foto: Saulo Thomas/ ONF Brasil)

Terreiro suspenso aprimora etapa de pós-colheita (Foto: Saulo Thomas/ ONF Brasil)

Na continuidade das atividades iniciadas pelo projeto PETRA e com o objetivo de estimular a criação de um grupo de produtores de café agroflorestal em Cotriguaçu, foi organizado, junto com o ICV (Instituto Centro de Vida), um intercâmbio entre os agricultores na propriedade do Sr. Altair, cafeicultor do PA Juruena e na Fazenda São Nicolau.

A atividade que contou com a participação de 12 agricultores apresentou o terreiro suspenso em pleno funcionamento, e os agricultores fizeram várias perguntas ao proprietário sobre custos, construção, tempo de secagem, manejo, rendimento, qualidade do produto e valor agregado.  A programação durou dois dias, de 8 a 9 de maio, e iniciou com um gostoso café da manhã na Fazenda São Nicolau. Uma das participantes, a Dona Maria do PA Nova Cotriguaçu, preparou o mingau de babaçu para fornecer a energia necessária para o grupo.

Além da Dona Maria, participaram os cafeicultores Seu Bispo e Seu Jucimar do PA Juruena (SIM), que também estiveram presentes na oficina de agosto de 2017, e produtores de Alta Floresta, PA Nova Cotriguaçu, e Nova Monte Verde. O objetivo do encontro é promover sistemas de produção econômica e ecologicamente eficientes compartilhando itinerários técnicos adaptados à região e experiências próprias dos produtores.

A visita ao terreiro suspenso construído na propriedade do Seu Altair, localizada na comunidade CDR 9 do PA Juruena, foi um ponto forte da agenda. A estrutura pretende garantir a qualidade do café na etapa pós-colheita. Porém um efeito positivo não planejado foi a possibilidade de iniciar a colheita no período chuvoso, uma vez que a cobertura fornece a proteção necessária aos grãos e permite o aceleramento do tempo de secagem. Em dias de sol, o café demora oito dias para secar completamente e, no período chuvoso, são 12 dias.

A equipe ideal para construir o terreiro é de 12 pessoas para a primeira etapa (medição, abertura dos buracos e levantamento da estrutura) e quatro pessoas para a segunda etapa (instalação da cobertura e estiramento do sombrite), demandando poucos dias para finalizar o projeto.  O Seu Altair utilizou a madeira da fazenda e precisou de mais mil reais para o restante dos materiais.  Atualmente o terreiro funciona com capacidade para 120 latas (1.440 kg) com algumas alterações no projeto inicial (a projeção era para 80 latas ou 960 kg).

O Seu Altair apresentou duas sacas diferentes para comparação. A diferença na qualidade do café é visível. O grão do terreiro suspenso é bem mais limpo e menos úmido, pois é menos atacado por fungos. Contudo a concentração de café maduro é um atrativo para a broca, principal praga do café.

A constatação da incidência de broca foi a oportunidade para instalar as armadilhas recomendadas pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia). O grupo preparou e instalou 9 armadilhas, além de deixar mistura de iscas e 90 vidros para novas instalações – completando 20 armadilhas por hectare. O grupo finalizou o dia satisfeito ao constatar que, ao final das instalações das armadilhas, algumas brocas já haviam sido capturadas.

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