SELEÇÃO DE UNIDADES DEMONSTRATIVAS PROJETO TERRAMAZ 2a CHAMADA

O Projeto TerrAmaz está selecionando propriedades em Cotriguaçu – MT para a implementação de Unidades Demonstrativas (UDs) de transição agroecológica das cadeias produtivas de café e pecuária.

O sistema de seleção com os prazos de candidatura será descrito a seguir, os benefícios disponíveis, os critérios de seleção e o formulário de inscrição estão disponíveis abaixo.

A publicação da segunda chamada tem o objetivo de completar as 3 vagas restantes para os beneficiários das UDs de pecuária e 1 vaga para UD café agroflorestal.

 

Cronograma de seleção

01/11/21 – Início da divulgação do projeto através de chamadas na rádio local, apresentações na comunidade e divulgado pelas redes sociais da ONFB;

01/11/21 – Abertura das inscrições através do preenchimento do formulário de inscrição online (https://tinyurl.com/p2tymapn), ou solicitando e entregando o formulário impresso para Rafael Pereira de Paula na Fazenda São Nicolau de segunda a sexta-feira das 7h30 às 17h30.

05/11/21 – Encerramento das inscrições

08/11/21 a 12/11/21 – Realização de entrevistas e visitas a campo

15/11/21 – Classificação dos beneficiários por um filtro de critérios e apresentação a um Comitê técnico Operacional Extraordinário que validará os melhores classificados.

16/11/21 – Confirmação da seleção aos agricultores

17/11/21 – Início das atividades

Obs.: Devido a pandemia, o sistema de seleção no ano de 2021 foi modificado para atender protocolos de biossegurança contra COVID-19, principalmente em não estimular aglomerações, seguindo da seguinte forma: para a divulgação do projeto, serão realizadas apresentações individuais do escopo e critérios do projeto para os agricultores identificados nas redes de contato já estabelecidas nos critérios acima (Projeto Petra, Programa Nosso Leite, Rural Sustentável, Rede ONFB) e divulgação no site da ONFB e Facebook.

 

Documentos

Benefícios Disponíveis – Unidades Demonstrativas TerrAmaz

Critérios de Seleção de Beneficiários Terramaz

formulário de inscrição

Mais informações sobre a seleção, clique em seleção de UDs – chamada 2

 

Contato para perguntas:

Saulo M Thomas
Coordenador TerrAmaz Cotriguaçu
WhatsApp: 65 9 9606-9140
E-mail: thomas.saulo@gmail.com

Rafael Pereira de Paula
Técnico de Campo TerrAmaz Cotriguaçu
WhatsApp: 66 9 9953-3092
E-mail: rafael@onfbrasil.com.br

Aprimorar técnicas para a pós-colheita do café agroecológico é um dos objetivos das Unidades Demonstrativas a serem implementadas no PA Juruena e na Fazenda São Nicolau (Foto: Acervo ONF Brasil)

Aprimorar técnicas para a pós-colheita do café agroecológico é um dos objetivos das Unidades Demonstrativas a serem implementadas no PA Juruena e na Fazenda São Nicolau (Foto: Acervo ONF Brasil)

No fim de abril, Rafael Pereira de Paula foi contratado como técnico de campo do Projeto TerrAmaz. Além de ser agrônomo, mestre em Agroecologia e doutorando em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural, Rafael tem um histórico pessoal que contribui para as atividades de transição agroecológica em Cotriguaçu (MT). Ele veio da região Norte de Mato Grosso e é um antigo assentado e agricultor. Sua tarefa principal no TerrAmaz é coordenar a implementação das Unidades Demonstrativas (UDs) no Projeto de Assentamento Juruena e na Fazenda São Nicolau, com foco nas cadeias produtivas do café e da pecuária. O diálogo com os beneficiários é estratégico para a iniciativa e o passado de Rafael é um aliado para estabelecer os contatos e gerar empatia.

Apesar dos desafios e os impactos impostos pela pandemia, o TerrAmaz avança com adaptações no desenho do projeto. Rafael já iniciou a seleção dos beneficiários, sempre com o cuidado de evitar aglomerações.

“Procuramos sempre fazer reuniões remotas pela internet e visitas apenas quando necessário, sempre tomando os cuidados com distanciamento e utilizando máscara e álcool em gel. Tivemos que mudar algumas atividades, como nos convites aos agricultores, que estava previsto para ser em uma reunião coletiva e tivemos que fazer individualmente; e também os intercâmbios que foram adiados. Estamos atentos e todas as nossas ações buscam manter a integridade e saúde de todos os nossos parceiros”, explica Rafael.

Com os protocolos necessários, uma rede de contatos é formada. As próximas ações visando a transição agroecológicas são a realização de um diagnóstico nas propriedades selecionadas. A intenção é implementar 10 UDs no PA Juruena e 2 na Fazenda São Nicolau (uma para café e a outra para pastagem) apenas no primeiro ano. No total, estão previstas 23 UDs para os próximos anos (uma na Terra Indígena Escondido e 10 a mais no PA Juruena).

A expectativa para o futuro próximo é organizar intercâmbios para compartilhamento de experiências entre os agricultores do TerrAmaz e outros que já possuem sistemas de produção consolidados e em transição agroecológica.

CTO se reúne para alinhar e discutir as próximas ações do projeto (Foto: Acervo ONF Brasil)

CTO se reúne para alinhar e discutir as próximas ações do projeto (Foto: Acervo ONF Brasil)

Outros avanços do projeto foram a primeira reunião do Comitê Técnico Operacional (CTO) do TerrAmaz em Cotriguaçu e a execução do estudo de viabilidade de formação de Comitês de Avaliação de Crédito (CACs) do Banco Comunitário Raiz nas comunidades beneficiárias.

O encontro do CTO aconteceu no dia 1º de junho, envolvendo as principais beneficiárias e implementadoras do projeto: ONF Brasil, Instituto Centro de Vida (ICV), Associação de Coletores(as) de Castanha-do-Brasil do PA Juruena (ACCPAJ) e a Aldeia Babaçual. Foram fundamentais para os debates a presença da Estelle Dugachard, diretora da ONF Brasil, Benedita Mendes, técnica do ICV, e Rodrigo Marcelino, indigenista do ICV. A participação do grupo contribui para a gestão estratégica, implementação e monitoramento das atividades em Cotriguaçu, município que se configura como um piloto do projeto.

Durante a reunião, foi apresentado o funcionamento do CTO. Também se compartilhou o balanço das atividades realizadas e a programação para os próximos quatro meses, além de abordar a necessidade de consentimento dos indígenas Rikbaktsa e da Fundação Nacional do Índigo (Funai) para o trabalho na Terra Indígena Escondido.

E o segundo avanço do TerrAmaz, os CACs do Banco Comunitário Raiz, tiveram por objetivo estruturar uma ferramenta de crédito inovador para potencializar a transição agroecológica pretendida. Esse banco é uma organização de economia popular e solidária, sistematizada pelo Instituto Ouro Verde (IOV) desde 2012. Por meio da obtenção de recursos para o investimento e custeio de produtos agroecológicos (produção, transformação e comercialização), o banco fortalece e dinamiza a agricultura familiar e pequenos empreendimentos na Amazônia. O impacto é positivo para o bem-estar das famílias da região.

A avaliação do desenho e do futuro do TerrAmaz também é positiva. “O projeto possui objetivos claros e concisos, com estrutura bem definida e que visa atender às demandas dos próprios agricultores. As primeiras impressões do projeto foram muito positivas e produtivas. Já deu a noção do tamanho dos desafios que enfrentaremos no decorrer do projeto”, justifica Rafael.

O técnico de campo vê o projeto como uma oportunidade para apoiar os beneficiários na obtenção de uma produção de qualidade, sustentável e mais rentável. Participar do projeto e vivenciar as atividades da Fazenda São Nicolau foram outras vantagens encontradas por Rafael ao assumir o cargo.

“A Fazenda São Nicolau me impressionou positivamente pela amplitude dos projetos em que atua, sempre buscando a conservação ambiental, a estrutura é maravilhosa e todos os funcionários me receberam muito bem e me deram todo o apoio que será fundamental para cumprir com os objetivos do TerrAmaz, é uma felicidade imensa conhecer e viver na fazenda.”

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1. Contexto

A ONF Brasil, empresa de direito privado, brasileira, filial da ONF International, criada em 1999 para a implementação do Projeto Poço de Carbono Peugeot/ONF Brasil na Fazenda São Nicolau em Cotriguaçu – MT. Tem como atual missão: Desenvolver a gestão do ambiente florestal com a diversificação de atividades produtivas sustentáveis e replicáveis, para integrar viabilidade econômica com impactos socioambientais positivos e está responsável pela implementação do Projeto Territórios Amazônicos – TerrAmaz em Cotriguaçu – MT, em
parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV).

O Projeto TerrAmaz é financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), sob coordenação geral do CIRAD, tem como objetivo geral: Apoiar os territórios Amazônicos na implementação de sua política de combate ao desmatamento e transição para um modelo de desenvolvimento que permita combinar desenvolvimento econômico de baixo carbono e conservação de ecossistemas. Terá a duração de outubro de 2020 até setembro de 2024 e será implementado em 4 países e 5 sítios piloto (Cotriguaçu e Paragominas no Brasil, Guaviare na Colômbia, Yasuni no Equador e em Madre de Dios do Peru).

Em Cotriguaçu tem como objetivo geral o Planejamento Territorial e Transição Agroecológica de Atividades Produtivas, sendo que um dos objetivos específicos é:

– Promover práticas sustentáveis e estabelecer redes de propriedades piloto.

Assim, o Projeto TerrAmaz está selecionando propriedades em Cotriguaçu – MT para a implementação de Unidades Demonstrativas (UDs) de transição agroecológica das cadeias produtivas de café e pecuária

O sistema de seleção com os prazos de candidatura será descrito a seguir, os benefícios disponíveis, os critérios de seleção e o formulário de inscrição estão disponíveis no site da ONF Brasil.

2. Cronograma de seleção

13/08/21 – Início da divulgação do projeto através de chamadas na rádio local, apresentações
na comunidade e divulgado pelas redes sociais da ONFB;
16/08/21 – Abertura das inscrições através do preenchimento do formulário de inscrição

online: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfhJdk8PwuyOaW-ckb45pNi-
SuSafmwUUIWmBg1w6o_ZsSIqg/viewform?usp=sf_link, ou solicitando e entregando o formulário impresso para Rafael Pereira de Paula na Fazenda São Nicolau de segunda a sexta-
feira das 7h30 às 17h30.

27/08/21 – Encerramento das inscrições

30/08/21 a 03/09/21 – Realização de entrevistas e visitas a campo

08/09/21 – Classificação dos beneficiários por um filtro de critérios e apresentação a um Comitê técnico Operacional Extraordinário que validará os melhores classificados.

10/09/21 – Confirmação da seleção aos agricultores

13/09/21 – Início das atividades

Obs.: Devido a pandemia, o sistema de seleção no ano de 2021 foi modificado para atender protocolos de biossegurança contra COVID-19, principalmente em não estimular aglomerações, seguindo da seguinte forma:
Para a divulgação do projeto, serão realizadas apresentações individuais do escopo e critérios do projeto para os agricultores identificados nas redes de contato já estabelecidas nos critérios acima (Projeto Petra, Programa Nosso Leite, Rural Sustentável, Rede ONFB) e divulgação no site da ONFB e Facebook.

3. Anexos

Critérios de Seleção de Beneficiários Terramaz
Benefícios Unidades Demonstrativas TerrAmaz

Contato para perguntas:
Saulo M Thomas
WhatsApp: 65 99606-9140
E-mail: thomas.saulo@gmail.com

Cotriguaçu é uma das cinco localidades na América Latina que participam do TerrAmaz (Foto: Acervo TerrAmaz)

Cotriguaçu é uma das cinco localidades na América Latina que participam do TerrAmaz (Foto: Acervo TerrAmaz)

 

O Projeto TerrAmaz – Territórios Amazônicos – é financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e será implementado pelo consórcio de CIRAD (Centro de cooperação internacional em pesquisa agronômica para o desenvolvimento) em parceria com a ONF International e a AVSF (Agrônomos e veterinários sem fronteiras) com objetivo de “Apoiar os territórios Amazônicos na implementação de suas políticas de combate ao desmatamento e transição para um modelo que permita combinar o desenvolvimento econômico de baixo carbono e conservação de ecossistemas”. As atividades apoiarão cinco sítios piloto em quatro países durante quatro anos: Cotriguaçu e Paragominas (Brasil), Yasuní (Equador), Madre de Dios (Peru) e Guaviare (Colômbia).

Em Cotriguaçu, o projeto será coordenado pela ONF Brasil em parceria com o ICV (Instituto Centro de Vida), sendo que um dos objetivos específicos é a promoção de práticas sustentáveis e estabelecimento de uma rede de propriedades pilotos. Na prática, a iniciativa apoiará a transição agroecológica de atividades produtivas implementando unidades demonstrativas em 20 propriedades de agricultores familiares produtoras de café e pecuária. Também serão instaladas unidades demonstrativas de café agroflorestal e sistema silvipastoril na Fazenda São Nicolau. 

Também serão realizados intercâmbios e capacitações sobre o leque disponível de boas práticas – como biofertilizantes, adubação verde, controle natural de pragas, melhoria de qualidade pós colheita do café com terreiro, certificação orgânica, adubação, rotação e arborização de pastagens.

O coordenador do projeto, Saulo Thomas, pontua a necessidade da mudança de perspectiva sobre as atividades produtivas na região: “Desconsiderando o desmatamento para invasão ilegal de terras, entende-se que a abertura de novas áreas seja necessária para aumentar a produção. A transição agroecológica traz soluções técnicas que permitem aumentar a produtividade na mesma área, usando insumos locais, melhorando a qualidade do solo, água e microclima, além de permitir o acesso a um mercado diferenciado que valorize os produtos com impactos socioambientais positivos”.

Ainda no subobjetivo de promoção de boas práticas, será apoiada a estruturação de agroindústria de beneficiamento de castanha-do-Brasil, que agregará valor ao produto gerando mais renda aos coletores e criando empregos na região. A proposta da ONF Brasil e do ICV é continuar com o apoio constante à Associação de Coletores(as) de Castanha-do-Brasil do PA Juruena (ACCPAJ), parceiro que acompanham desde a criação do grupo quando disponibilizaram uma área para coleta na Fazenda São Nicolau e que foi recentemente fortalecida pelo Projeto Redes Socioprodutivas implementado pelo ICV com financiamento do Fundo Amazônia. A iniciativa também planeja a estruturação de uma brigada de incêndio formada pelos extrativistas para garantir maior proteção das áreas de coleta, mesmo que a prioridade sejam ações preventivas.

 

A exploração sustentável da castanha é uma das principais atividades das fazendas piloto do projeto em Cotriguaçu (Foto: Acervo ICV/Rodrigo Vargas)

A exploração sustentável da castanha é uma das principais atividades das fazendas piloto do projeto em Cotriguaçu (Foto: Acervo ICV/Rodrigo Vargas)

 

Em paralelo, a construção participativa de uma plataforma online (Forland) deve dar apoio ao planejamento e gestão territorial. São previstas funcionalidades de monitoramento do desmatamento em continuidade do trabalho realizado durante o projeto PETRA, dos indicadores do território acompanhando os indicadores PCI (Produzir Conservar Incluir) e da eficiência das práticas.

 

Modelo de ferramenta de monitoramento territorial que será construída pelo Projeto TerrAmaz para apoiar a gestão territorial em Cotriguaçu-MT (Imagem: Acervo da ONF Brasil)

Modelo de ferramenta de monitoramento territorial que será construída pelo Projeto TerrAmaz para apoiar a gestão territorial em Cotriguaçu-MT (Imagem: Acervo da ONF Brasil)

 

Haverá um foco mais específico sobre agricultura familiar, em alinhamento com as atividades da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (SEAF), para o levantamento de dados da agricultura familiar, sua inclusão no SEIAF (Sistema Estadual Integrado da Agricultura Familiar) e construção de um Plano Municipal de Agricultura Familiar (PMAF).

Transversalmente e em todos os territórios serão analisadas as questões de certificação (de produto, cadeia e território), de mecanismos inovadores de financiamento para a transição agrícola e o desenvolvimento de indústrias sustentáveis. Um componente de pesquisa científica produzirá referências sobre políticas públicas, indicadores para monitoramento e certificação da transição sustentável dos territórios assim como referências técnicas e econômicas sobre sistemas sustentáveis agrícolas, florestais e de pecuária.

O engenheiro Saulo Thomas comentou sobre os impactos positivos do TerrAmaz no município: “Para os agricultores na região, o projeto integrará a sustentabilidade financeira e eficiência econômica à sustentabilidade ambiental. A Fazenda São Nicolau favorece experimentações, pesquisa e troca de experiência assim como potencial agregador para o mercado diferenciado e mundo dos negócios de impacto”.

Cotriguaçu foi escolhido por ser um território com grande potencial de transformação, que já possui instrumentos de governança local e diagnósticos produtivos construídos ao longo da implementação de grandes projetos. Um pacto territorial foi assinado em 2018 entre a Prefeitura, o governo do Estado e atores públicos, privados e da sociedade civil, descrevendo os próprios objetivos do território em contribuição à estratégia estadual PCI. O programa REM beneficia várias iniciativas na região, direta e indiretamente. Nesse momento de sinergias e alinhamento entre as políticas públicas do estado e a estratégia territorial, o ICV e a ONF Brasil com seus 30 e mais de 20 anos de presença e atuação na região, pretendem, graças ao TerrAmaz, ajudar a mobilizar os atores e potencializar os diferentes projetos e mecanismos de desenvolvimento.

Mesa de parceiros participantes do webinar de lançamento TerrAmaz em 26/02/2021 (Imagem: Acervo ONF Brasil e ICV)

Os dados coletados em campo são posteriormente processados pelo software Xendra (Foto: Acervo da ONF)

Os dados coletados em campo são posteriormente processados pelo software Xendra (Foto: Acervo da ONF)

De agosto a setembro de 2020, foi realizado o inventário florestal na UPA 2 — Unidade de Produção Anual 2, localizada em região de mata nativa objeto de Plano de Manejo Florestal Sustentável aprovado pela SEMA-MT. As duas equipes que lideraram a ação foram compostas por quatro colaboradores cada e o resultado, após a sistematização dos dados, foi a construção do Plano Operacional Anual (POA 2021), documento exigido para aprovação pela SEMA-MT das atividades de manejo florestal para o ano 2021.

“A atividade de inventário na floresta nativa adentro é bem complexa e cansativa, mas traz um contato direto com a mata e suas belezas: as árvores centenárias e as riquezas de detalhes”, ilustra o engenheiro florestal Alan Bernardes, responsável técnico pelo projeto e coordenador das atividades da Fazenda. 

Outro engenheiro florestal que integrou as equipes, o Antônio Gomes, lembrou também da dificuldade de se realizar a atividade. O grupo anda o dia inteiro dentro da mata nativa, atravessa corpos d’água, enfrenta relevos acidentados e se depara com diferentes espécies de animais, além de árvores centenárias: “A sensação é fantástica, uma árvore de nove metros de circunferência não se vê todo dia”. 

Árvores centenárias surpreendem as equipes (Foto: Acervo da ONF)

Árvores centenárias surpreendem as equipes (Foto: Acervo da ONF)

Anteriormente à realização do inventário é necessário planejar a atividade e preparar a área em campo. De maio a julho, após definição em mapas da área a ser explorada em 2021, duas equipes de campo demarcaram o perímetro da área da UPA 2 na floresta e realizaram a abertura das picadas que estabelecem faixas, a cada 50 metros, para se caminhar. Essas faixas são percorridas sistematicamente pelas equipes de inventário durante o censo. A definição das espécies de interesse para exploração seguem as normas legais e as demandas do mercado.

Em campo os times catalogaram 18.500 árvores, cobrindo uma área de 1.018,00 hectares. Cada equipe é formada por um identificador, dois auxiliares e um coordenador, também engenheiro florestal. Entre as atividades conduzidas pela equipe, estão a identificação dos indivíduos com potencial, seguindo a listagem das espécies de interesse pré-definidas anteriormente, durante a fase de planejamento. A partir de então, as árvores têm suas informações de circunferência, altura e qualidade do fuste inseridas no coletor, permitindo definir a classificação de cada árvore em corte, porta-sementes ou remanescente. No processo, cada árvore ganha um número de identificação único, que é registrado em plaqueta fixada na árvore e no coletor de dados do aplicativo Xendra para Android, junto com as suas características e coordenadas para sua posição geográfica. Essa identificação acompanha a árvore até sua exploração e transporte das toras até a serraria, garantindo a total transparência e legalidade da atividade. 

As árvores são classificadas em “remanescente” ou “corte” de acordo com a sua circunferência. Quando a planta possui mais de 158 cm de circunferência, ela pode, em teoria,  ser cortada. Já aquelas com circunferência entre 95 e 157 cm são definidas como remanescente. Parte das árvores de cada espécie ainda são definidas como porta-sementes: 10 a 15% dos indivíduos de cada espécie, com o objetivo de deixar, na área, matrizes produtoras de sementes. A função das porta-sementes é garantir a regeneração das espécies e a variabilidade genética após a exploração. Algumas espécies nunca podem ser cortadas ou exploradas, independentemente de suas circunferências: é o caso da castanheira, do mogno e da seringueira. Essa metodologia de classificação segue o regimento estadual, que define as regras para o inventário e cálculo do estoque de madeira.

Após o censo florestal, o software Xendra, desenvolvido porClovis Valadares Junior, auxiliou no tratamento dos dados coletados em campo e no equacionamento volumétrico das árvores. São, então, selecionadas todas as árvores de corte, sempre respeitando os limites de volume estabelecidos por lei, que garantem a regeneração natural da floresta e a sustentabilidade da atividade a longo prazo. Uma das principais informações apresentadas pelo POA é exatamente esse volume de árvore a ser extraído, obedecendo o limite máximo de exploração de 30 metros cúbicos por hectare. Esse valor teórico foi definido embasando-se em pesquisas científicas sobre a dinâmica da floresta no estado. Além do volume, no POA são apresentadas as informações da área, todas as atividades de planejamento e exploração, tais como a alocação de pátios, estradas e trilhas de arraste das árvores, além de serem apresentados os cálculos de prognose (estimativa da recomposição da volumetria da floresta após o ciclo de corte, definido em 35 anos). Os POAs são produzidos anualmente a partir do momento que é emitida a Licença Florestal, que autoriza a atividade de manejo florestal na área. Os planos são submetidos à análise do órgão ambiental (SEMA-MT) e sua aprovação leva à emissão da Autorização de Exploração (AUTEX). Os procedimentos e as informações exigidas seguem legislações estadual e federal.

Antonio com uma jabuti (Chelonoidis denticulata), tartaruga frequentemente encontrada na floresta durante os inventários (Acervo ONF Brasil)

Antonio com uma jabuti (Chelonoidis denticulata), tartaruga frequentemente encontrada na floresta durante os inventários (Acervo ONF Brasil)

 

ONF Brasil inventaria estocagem de carbono nas árvores do PCFPO (Acervo ONF Brasil)

ONF Brasil inventaria estocagem de carbono nas árvores do PCFPO (Acervo ONF Brasil)

O levantamento é uma atividade anual realizada desde 2003 nos plantios do Projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF (PPCFPO). O inventário de 2020 aconteceu entre outubro e novembro e avaliou as 419 parcelas permanentes do projeto. O objetivo da atividade é medir o carbono estocado pelas árvores plantadas e pela regeneração natural na área do projeto mediante o acompanhamento do crescimento das plantas.

“Com base nos dados do inventário é possível quantificar o carbono que nossas florestas podem estocar de um ano para o outro. Deste modo, é possível argumentar sobre a importância de manter essas florestas em pé e quantificar qual o valor das nossas florestas para o mundo”, explicou um dos integrantes da equipe do inventário, o engenheiro florestal Roniel Lobo da Silva.

Os colaboradores da ONF Brasil foram organizados em equipes com a liderança de engenheiros florestais auxiliados por dois estagiários também de Engenharia Florestal: Marcos Vinicius da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso) e Mateus Rosante da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e dois assistentes de campo. O Roniel e o Antonio Gomes do Nascimento Junior (estudante do último ano de Engenharia Florestal na Unemat) foram líderes de campo e assumiram a função de atuar na linha de frente, operando os equipamentos e testando nova ferramenta de coleta de dado me campo durante o inventário.

As equipes medem as árvores e inserem os dados no sistema (Acervo ONF Brasil)

As equipes medem as árvores e inserem os dados no sistema (Acervo ONF Brasil)

De acordo com a metodologia da atividade, cada equipe vai a campo com as fichas do ano anterior – tendo acesso aos dados históricos – e coleta os novos dados da remedição das árvores. Este ano, a novidade foi o uso de tablets, garantindo a informatização dos dados. A tecnologia facilita o levantamento dos dados, minimiza os erros e torna as informações mais confiáveis. Para isso, foi desenvolvido um programa com o apoio da ONF International que permitia já inserir os dados diretamente no sistema. 

Durante o inventário, são coletados dados de CAP (Circunferência à Altura do Peito), qualidade de fuste, tipo de fuste, além de informações mais detalhadas, como a presença de cipós ou ataques de pragas e doenças. Também são registradas as informações espaciais de acordo com o GPS do tablet

De volta ao escritório, os dados coletados no dia são centralizados e salvos diretamente no banco de dados da Fazenda. A organização sistemática dos dados históricos no banco de dados e sua espacialização permitirá realizar análises muito mais profundas e multivariáveis sobre as dinâmicas de crescimento e estocagem de carbono das diferentes espécies plantadas em diferentes condições. Também garante uma maior qualidade e coerência de dados.

O Antonio destacou as facilidades do tablet. “Como a gente tem tudo georreferenciado e sabemos onde estamos, fica muito mais fácil de se localizar no mapa e nas parcelas da Fazenda”.

Outra novidade do inventário foi a participação do Luís Henrique de Araújo, estudante de 19 anos que cursa Engenharia Florestal na Unemat. Diferente de outros estagiários que já integraram as equipes da ONF Brasil, o Luís carrega consigo um diferencial: é fruto da Fazenda São Nicolau. Ele é filho do gerente de campo Gilberto de Araújo e da cozinheira Alaíde de Araújo, que vivem na propriedade e trabalham na ONF Brasil desde o início do projeto. Ou seja, Luís nasceu e cresceu na São Nicolau.

A decisão de cursar Engenharia Florestal aconteceu quando estagiários de pesquisa da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) estavam na fazenda e o convidaram para ir a campo.  “Eu percebi que realmente gostava de algo que estava envolvido com a natureza.” 

Em 2020, suas aulas na Unemat foram suspensas por causa da pandemia. Achou melhor se deslocar de Alta Floresta para a Fazenda para ficar com os pais. Nesse período de isolamento, foi convidado para participar do inventário. Conta que foi a primeira vez que teve o contato direto com a coleta dos dados e seu tratamento.

Após o levantamento desses dados, o conteúdo é sistematizado em uma tabela de atributos e os dados podem ser extraídos e utilizados de acordo com o interesse da pesquisa ou projeto – auxiliando em atividades de pesquisa, florestais e agrícolas. É possível, por exemplo, avaliar o crescimento, a distribuição geografia das espécies e avaliar a regeneração. O objetivo principal, no entanto, é computar os dados para estimar o carbono estocado e gerar créditos de carbono, validados pela certificadora VCS (Verified Carbon Standard). Os créditos de carbono assim gerados podem ser comercializados e a receita obtida reinvestida no projeto. Neste ano especificamente, a venda dos créditos de carbono garantiu o equilíbrio econômico do projeto, cobrindo as perdas devidas à paralisação das atividades próprias da Fazenda por conta da pandemia, como ecoturismo e exploração da Teca.

“Foi um inventário bem-feito e organizado. Com este inventário, foi possível a correção de alguns erros dos anos anteriores e, se continuar nesse ritmo, para os próximos anos, teremos cada vez mais dados apurados”, avalia Roniel.